CPI dos Grampos ouve juiz que mandou prender Dantas

De Sanctis diz que convocação para falar de grampos 'não tem cabimento' e não adianta conteúdo

Agência Câmara

12 de agosto de 2008 | 15h21

Começou nesta terça-feira, 12,  a reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Escutas Telefônicas Clandestinas para a tomar o depoimento do juiz da 6ª Vara Criminal da Justiça Federal de São Paulo Fausto De Sanctis.   O juiz, que veio acompanhado pelo vice-presidente da Associação dos Juízes Federais (Ajufe), Nilo Oliveira, autorizou a prisão de investigados pela Operação Satiagraha, da Polícia Federal. A operação prendeu, no início de julho, mais de 20 pessoas acusadas de crimes financeiros, como lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e evasão de divisas, além de formação de quadrilha.   Na segunda-feira, De Sanctis disse que iria a comissão a contragosto. "Eu não esperava ser convocado como testemunha em uma CPI que apura grampos ilegais. E não iria por vontade própria", disse ontem, durante palestra na Escola Superior do Ministério Público, em São Paulo. "Não tem cabimento."   O magistrado preferiu, de início, enumerar colaborações entre a Justiça brasileira e autoridades estrangeiras, que se utilizaram de técnicas especiais de investigação. Segundo ele, ações controladas, interceptações telefônicas e infiltração de agentes na organização criminosa são estratégias de uso corrente. Todas balizadas por convenções internacionais, abraçadas "sem restrições" pelo Brasil. Por isso, de acordo com De Sanctis, questionar técnicas como as utilizadas na Operação Satiagraha e deixar os fatos de lado "causa estranheza" entre juízes de varas especializadas. "Dizem que a técnica que o Brasil adotou não é a usual. É a usual, sim. É muita ingenuidade achar que o inquérito policial tradicional vai conseguir combater o crime organizado", criticou De Sanctis.

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