CPI dos Grampos deve ganhar sobrevida

Comissão seria extinta no dia 15, mas pode ser prorrogada para apurar caso Protógenes

Ana Paula Scinocca, O Estadao de S.Paulo

10 de março de 2009 | 00h00

A revelação da suposta existência de uma máquina de espionagem contra políticos e autoridades, montada pelo delegado Protógenes Queiroz, da Polícia Federal, deu sobrevida à CPI dos Grampos. O plenário da Câmara deve aprovar hoje a prorrogação da comissão.Antes da votação do requerimento que pede o adiamento da conclusão dos trabalhos da comissão, uma reunião entre o presidente da Casa, deputado Michel Temer (PMDB-SP), e o presidente da CPI dos Grampos, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), deverá definir o prazo da extensão dos trabalhos: 30 ou 60 dias.Temer defende um mês a mais de apuração, enquanto Itagiba afirma querer mais 60 dias de investigação. O término da CPI estava previsto para esta semana (oficialmente no próximo domingo, dia 15). Na semana passada, o relator da comissão, deputado Nelson Pellegrino (PT-BA), apresentou seu relatório final sem propor indiciamento de nenhuma autoridade relevante."Vou levar o pedido de adiamento ao plenário para obter a prorrogação e dar um basta com essas gravações ilícitas que violam o direito do indivíduo. É preciso dar um basta nesta forma de investigar", disse Temer, ontem à noite. Foi uma referência à reportagem da revista Veja que revelou investigações ilegais promovidas por Protógenes Queiroz no âmbito da Operação Satiagraha. "Ninguém tem o direito de investigar por conta própria", afirmou o presidente da Câmara.O pedido formal de adiamento dos trabalhos finais da CPI foi apresentado pelo deputado Raul Jungmann (PPS-PE). "Os casos revelados são de extrema gravidade e, se comprovados, atingem o coração das instituições democráticas do País. Por isso há necessidade urgente da prorrogação, até porque o inquérito em que a revista se baseou para elaborar a matéria se encontra em poder da CPI."Segundo reportagem da revista, Protógenes teria investigado ilegalmente vários políticos, entre os quais o ex-ministro José Dirceu, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Da tribuna, o senador Heráclito Fortes (DEM-PI), que segundo a reportagem foi um dos alvos de Protógenes, disse que o delegado está a serviço de "uma ala do governo".

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