Deputados querem prorrogar CPI dos Fundos de pensão

O pedido de ampliação do prazo foi feito pelo deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP); possibilidade de prorrogar o período de investigações contrariou representantes do PT

Erich Decat e Julia Lindner, O Estado de S. Paulo

18 de fevereiro de 2016 | 12h32

Brasília - Integrantes da CPI do Fundos de Pensão aprovaram nesta quinta-feira, 18, requerimento que prevê a prorrogação do prazo das atividades do colegiado por 60 dias, previstas inicialmente para se encerrarem no próximo dia 19 de março. O resultado foi uma derrota imposta pela maioria do colegiado aos representantes do PT e do governo, que tentaram impedir votação.

A decisão da maioria tem, contudo, apenas um caráter político, uma vez que a decisão final sobre a ampliação do prazo deve passar pelo plenário da Câmara e ser aprovada por maioria simples.

Durante a sessão, integrantes do PT se revezaram com discursos contra o requerimento de autoria do deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP). Entre as alegações dos petistas estava a de que integrantes da oposição tentam fazer da CPI um "palanque" eleitoral e que as investigações já eram suficientes.

"Nós já prorrogamos essa CPI. As outras CPIs, a do BNDES e da Petrobras, não foram prorrogadas. Nós entendemos que já foi dado o prazo regulamentar, já foi feita uma prorrogação, portanto, nós não temos acordo para nova prorrogação", afirmou o deputado Paulo Teixeira (PT-SP). "Não há nenhum fato novo que justifique essa prorrogação", afirmou a deputada Erika Kokay (PT-DF).

Integrantes da oposição defenderam, por sua vez, mais tempo para investigar os indícios de aplicação incorreta dos recursos e de manipulação na gestão de fundos de previdência complementar de funcionários de estatais, ocorridas entre 2003 e 2015.

"Essa CPI ela é uma CPI diferenciada pelo fato de que ela não contava com trabalho anterior do Ministério Público Federal, da Polícia Federal, na profundidade e extensão que nós precisávamos", afirmou o deputado Raul Jungmann (PPS-PE). "É uma tragédia o PT enquanto gestor, isso sem falar na tragédia da corrupção. Nunca se roubou tanto na historia do País. Não há mais como tolerar esse governo, não há mais como deixar essa gente impune", disparou o líder do PPS, Rubens Bueno (PR).

Também consta na pauta da CPI desta quinta-feira o requerimento de convocação do ministro da Casa Civil, Jaques Wagner. Após a fase de votação, os parlamentares devem ouvir o depoimento do presidente para América Latina e CEO no Brasil do Banco BNY Mellon, Eduardo Koelle. O BNY Mellon é suspeito de dar prejuízo ao Postalis, fundo de pensão dos Correios.

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.