CPI dos Cartões vira palco para desagravo a Matilde

A ex-ministra foi aplaudida de pé ao final de seu depoimento à CPI, diante de uma platéia lotada

EUGÊNIA LOPES, Agencia Estado

09 de abril de 2008 | 19h26

A CPI Mista dos Cartões Corporativos transformou-se nesta quarta-feira, 9, em palco para ato de desagravo à ex-ministra Matilde Ribeiro, que deixou o governo em fevereiro debaixo de acusações de uso irregular do cartão de crédito corporativo. Diante de uma platéia lotada de petistas, de representantes do movimento negro, além de parlamentares da tropa de choque do governo, a ex-ministra foi aplaudida de pé ao final de seu depoimento à CPI, que mais pareceu uma audiência pública para que ela fizesse um balanço de suas ações à frente do Ministério da Igualdade Social. Veja também: Ouça o 'melô dos cartões' Ouça: Matilde Ribeiro fala sobre acusações na CPI À CPI, diretor da Abin defende sigilo da Presidência ARQUIVO:  Secretária da Igualdade Racial é líder em gastos, revela Estado  'Troquei de cartões na compra do freeshop', diz Matilde à CPIGastos com cartões já somam R$ 9 milhões em 2008Os ministros caídos  Entenda a crise dos cartões corporativos  Matilde, que posou para fotos ao lado de antigos companheiros de ministério, não foi contestada pela oposição. Os oposicionistas optaram praticamente por abandonar a CPI Mista e centrar suas forças na comissão de inquérito formada apenas por senadores. Os deputados do DEM Vic Pires Franco (PA) e Índio da Costa (RJ) foram os únicos da oposição que ficaram até o final da sessão de ontem. Em minoria, optaram por não fazer perguntas para ex-ministra. A presidente da CPI, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), lamentou o "fim melancólico" dos trabalhos da comissão.  Nas duas horas de depoimento à CPI, Matilde Ribeiro repetiu que usou por engano o cartão de crédito do governo para fazer compras no free shop. "Houve uma troca de cartões. Tenho um cartão pessoal da mesma cor e da mesma bandeira do cartão do governo", justificou Matilde. "Em nenhum momento houve má fé no uso de verba pública", disse a ex-ministra.  Entre novembro de 2006 e novembro de 2007, o total de gastos de Matilde Ribeiro com cartão corporativo chegou a R$ 171,5 mil, dos quais R$ 121,9 mil para locação de veículos, sempre pagos à empresa Localiza. A Controladoria-Geral da União (CGU) concluiu que R$ 22.405,87 gastos pela ex-ministra com o cartão corporativo do governo não "foram suficientemente justificados". Do total, segundo a CGU, R$ 2.920,35 são de "devolução imediata." A ex-ministra foi orientada a apresentar esclarecimentos adicionais a respeito dos R$ 19.245,00 restantes. O valor refere-se ao pagamento de horas extras aos motoristas que conduziram os veículos alugados por Matilde Ribeiro em suas viagens oficiais.  Além da ex-ministra, o diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Paulo Lacerda, também depôs ontem na CPI Mista dos Cartões Corporativos. Ele defendeu a manutenção do sigilo nas despesas feitas pelo presidente da República e seus familiares com cartões corporativos e contas tipo B (a despesa é justificada por nota fiscal depois de o servidor receber uma verba). Afirmou ainda que esse procedimento é normal em outros países.  "Os gastos do presidente da República não podem se tornar vulneráveis por uma prestação de contas que venha causar ameaça ao mandatário", disse Lacerda. "A segurança da rainha da Inglaterra não é diferente. A prestação de contas dela não é diferente", concluiu. Ele defendeu também o sigilo dos gastos da Abin. Segundo ele, em 2007, a Agência teve orçamento de R$ 69 milhões, dos quais somente 11,7 milhões ficaram na rubrica de sigilo. "Mas isso não significa a inexistência de controle", observou Lacerda, ao garantir que não interessa à Abin a "bisbilhotagem política."

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