CPI dos Cartões ouvirá reitor da Unifesp nesta terça

Fagundos Neto é suspeito de uso irregular do cartão; ele chegou a admitr o erro, mas negou má-fé

AE, Agencia Estado

12 de maio de 2008 | 11h26

A CPI dos Cartões ouvirá nesta terça-feira, 13, o reitor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Ulysses Fagundes Neto, segundo informações da Agência Senado. Os gastos do reitor chegariam a R$ 12 mil durante viagens ao exterior. Em 2006, em viagem aos Estados Unidos, ele teria gastado R$ 2 mil em uma loja de computadores e outros R$ 3.100 em um hotel na Disney. O requerimento para convocação é do deputado Vic Pires (DEM-PI).  Fagundes Neto é investigado por uso irregular de seu cartão. Ele admitiu equívocos, informou que devolveu o dinheiro mas negou má-fé. Ele confirmou a compra de artigos esportivos na Alemanha e de um computador nos Estados Unidos. Disse ainda, em sua defesa, ter acreditado que o cartão poderia ser usado em viagens como o dinheiro das diárias, antes recebido em espécie para gasto livre. O mesmo equívoco teria levado o reitor a comprar duas malas na China por R$ 2.035. No entanto, ele informou ter devolvido todo o dinheiro sob suspeita entre 2006 e 2007.  Veja também:Veja o dossiê com dados do ex-presidente FHC  Entenda a crise dos cartões corporativos  Dossiê FHC: o que dizem governo e oposição Oposição anuncia nova ofensiva para levar Dilma à CPIDefesa de acusado de fazer o dossiê irá mirar braço direito de Dilma A CPI também deve votar a convocação do secretário de Controle Interno da Casa Civil, José Aparecido Nunes Pires, apontado como responsável pelo envio do suposto dossiê com os gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para André Fernandes, assessor do senador Álvaro Dias (PSDB-PR). E quer ainda convocar a ministra-chefe da Casa Civil,  Dilma Rousseff, para explicar o dossiê.Pires afirmou no último domingo que, apesar de a CPI já ter rejeitado a convocação de Dilma uma vez, agora "há fatos novos" na investigação do dossiê. O deputado referia-se à sindicância interna da Casa Civil que apontou como responsável pelo vazamento de informações o secretário de Controle Interno, Aparecido Nunes. "É um subordinado da ministra envolvido. Não há como ela não ir à CPI", disse Vic Pires. A oposição também vai pedir a convocação da secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, braço direito de Dilma e apontada como operadora da coleta de dados para o dossiê.Na avaliação dos oposicionistas, a vida política de Dilma vai se complicar porque a sindicância, se apontou o suposto responsável pelo vazamento, também revelou que ela mentiu ao depor, na quarta-feira, na Comissão de Infra-Estrutura do Senado. A ministra insistiu na tese de que ninguém produzira um dossiê e havia apenas um banco de dados em formação. Mas desde segunda-feira passada, dois dias antes de depor no Senado, ela já sabia que havia um dossiê repassado por Aparecido a ao assessor do senador tucano. Oposicionistas consideram que isso vai comprometer a condição de Dilma como pré-candidata à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de aprofundar as dificuldades de relacionamento político na base aliada. Consideram ainda que ao depor no Senado, Dilma exagerou nas informações sobre o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) para esconder as informações sobre o dossiê e José Aparecido.A CPI já tem um requerimento de convocação do secretário de Controle Interno na fila de votação. Antes da conclusão da sindicância interna, Vic Pires tinha pedido o comparecimento de Aparecido para esclarecer dúvidas sobre informações do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Casa Civil - o secretário é funcionário de carreira do tribunal cedido à Casa Civil. "Se não for aprovado esse primeiro requerimento de convocação, vou apresentar um segundo, diante desses novos fatos", afirmou o deputado. Texto ampliado às 11h27 (Luciana Nunes Leal e Marcelo de Moraes, de O Estado de S. Paulo)

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