CPI dos Cartões deve ter ampla maioria governista

Dos 24 deputados e senadores titulares que vão integrar comissão, 14 são da base aliada ao Planalto

Eugênia Lopes, O Estadao de S.Paulo

01 de março de 2008 | 00h00

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara e do Senado que vai investigar o uso dos cartões corporativos deve sair do papel na semana que vem com ampla maioria governista. Dos 24 deputados e senadores titulares que vão integrá-la, 14 são da base aliada. E, dependendo dos nomes indicados pelos demais partidos, o bloco governista pode chegar a 16 parlamentares.Apesar da maioria folgada, o PT da Câmara ainda insistia ontem em ficar com a presidência da CPI, abrindo mão da relatoria para o PSDB do Senado.A expectativa é que o impasse seja resolvido na terça-feira, durante reunião do ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, com os líderes do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), e na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), e do PT na Câmara, Maurício Rands (PE). A reivindicação da bancada petista da Câmara não deve, no entanto, ser atendida. O impasse serviu para atrasar por mais uma semana a instalação da CPI mista.A expectativa é que o acordo firmado na quarta-feira passada por Jucá com a oposição continue valendo. Ou seja: a presidência da CPI ficará com a senadora Marisa Serrano (PSDB-MS). O deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) foi indicado relator. "Não abrimos mão da presidência porque essa exigência do PT é brincadeira", afirmou ontem o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM). Ele ameaçou novamente instalar uma nova CPI exclusivamente de senadores, caso o PT da Câmara insista em ficar com a presidência da comissão mista.Os líderes governistas no Senado não estão dispostos a atender ao pedido da bancada do PT da Câmara. O líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO), já avisou que o partido cedeu a presidência para o PSDB e não vê motivos para desfazer o acordo. Até Múcio e Jucá já demonstraram pouca disposição em atender à bancada petista.Na CPI dos Cartões, que deve começar a funcionar na próxima semana, o governo poderá ter maioria ainda mais folgada, além dos 14 votos certos. Isso dependerá de quem serão os indicados para o cargo pelo PDT do Senado e pelo PV da Câmara. Os senadores do PDT geralmente votam contra o Planalto. A bancada de deputados do PV ameaçou romper recentemente com os aliados e parte de seus parlamentares tem posição contrária ao governo. Mas dependendo dos nomes escalados o governo poderá contar com mais 2 votos - aí seriam 16 aliados contra 8 oposicionistas.Até ontem nem PDT nem PV haviam indicado seus representantes na comissão. O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), deu prazo até terça-feira para que os partidos da Câmara e Senado designem os parlamentares que vão participar da CPI.

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