CPI do Roubo de Cargas se instala em Campinas

Uma comitiva da CPI do Roubo de Cargas, integrada por dois senadores, sete deputados federais e cinco auxiliares, chega a Campinas entre esta quarta e quinta-feira para ouvir pelo menos 30 pessoas envolvidas em roubo e receptação de cargas no Estado de São Paulo. A CPI se instalará na Câmara Municipal de Campinas por dois dias, a partir das 9 horas de quinta-feira. Uma lista parcial com o nome de 17 indiciados, divulgada pela CPI no início da noite desta terça, revela que dois episódios recentes, ocorridos em Guarujá (SP) e Jundiaí (SP) serão investigados pelos parlamentares. O secretário da CPI, Naurides Barros, informou que os outros nomes da lista serão mantidos em sigilo, até o início dos trabalhos da CPI em Campinas, e estariam relacionados à investigações anteriores feitas pela CPI do Narcotráfico na região, a partir de 1999.As convocações começaram a ser feitas na semana passada. Treze dos indiciados estão presos. Em Guarujá, no final do mês passado, uma equipe da Delegacia de Investigações sobre Furtos de Veículos de Cargas (Divecar) de São Paulo descobriu um galpão com 40 carretas roubadas, 18 delas já com pintura, plaquetas e placas adulteradas. Duas pessoas foram presas e, a partir delas, a polícia descobriu uma fábrica clandestina de plaquetas destinadas a "esquentar" caminhões roubados que funcionava em Jundiaí. Parlamentares da CPI acreditam que esta é a ponta de uma quadrilha de roubo de caminhões e cargas que age em São Paulo, Paraná, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. O relatório final da CPI de Roubo de Cargas deverá estar concluído no dia 15 de dezembro deste ano, quando será encaminhado ao Ministério Público. O deputado Oscar Andrade (PFL-RO), relator e autor do requerimento para a instalação da Comissão, criada em maio do ano passado, explicou que decidiu solicitá-la depois que a CPI do Narcotráfico foi encerrada. "O roubo de cargas está ligado ao narcotráfico. Durante a CPI do Narcotráfico indiciamos suspeitos de roubo de cargas, mas não pudemos aprofundar as investigações. A nova comissão foi criada para isso, mas o leque já se abriu bastante desde então", alegou. Andrade lembrou que os roubos de cargas movimentam R$ 500 milhões por ano no Brasil. Apenas São Paulo responde por 60% desse total. "Campinas tem uma conexão muito forte nesse esquema", disse. O deputado acrescentou que a CPI tem indícios do envolvimento de policiais e autoridades da região com o roubo de cargas.Ele disse também que os indícios apontam a participação de grandes redes atacadistas, hipermercados e distribuidoras no esquema das quadrilhas. "Na se comercializa em camelôs R$ 500 milhões de mercadorias por ano", argumentou. Andrade afirmou que os parlamentares não têm intenção de promover prisões. "Não temos esse objetivo, mas solicitaremos, se necessário", comentou.Além dele, estarão em Campinas os senadores Romeu Tuma (PFL-SP), que preside a CPI, e Moreira Mendes (PMDB-GO), acompanhados pelos deputados deputados Oscar Andrade (PFL-RO), Mário Negromonte (PSDB-BA), Pompeo de Mattos (PDT-RS), Carlos Dunga (PTB-PB), Telma de Souza (PT-SP), Almir Sá (PPB-RO) e Robson Tuma (PFL-SP). É a seguinte a lista parcial dos convocados divulgada nesta terça-feira: Márcio Carvalho de Oliveira, Jordão Domingues da Silva, José Roberto Barbosa, Márcio Natel, Luiz Benedito da Costa, Celso da Costa Silveira, José Bosco Manzini, Vanderlei Moretto, Claudionor Santos, Daniel Vieira, Marcio Roberto Leal, Donizete Claudinei Cavina, Roberto Lucas Portillo, George Jardim de Oliveira, Cleverson Mantriano, Marisa Felipe de Lima.

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