CPI do Finor livra empresas de políticos

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou desvios na aplicação de recursos do Fundo de Investimento do Nordeste (Finor) concluiu nesta terça-feira a votação do relatório final, isentando de qualquer irregularidade empresas vinculadas a políticos e suspeitas de envolvimento em fraude no uso de verbas liberadas pela Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).Cabe agora ao Ministério Público dar prosseguimento às investigações. Permaneceram no documento somente 53 empresas suspeitas de terem desviado no passado os recursos liberados pela Sudene, recentemente transformada em uma agência de desenvolvimento.Até a semana passada, as investigações feitas pela CPI durante os últimos treze meses apontava a existência de irregularidades em 531 empresas beneficiadas com financiamentos do Finor.Outros 272 projetos em andamento apareciam no relatório com problemas por estarem em atraso e gerando empregos muito abaixo dos objetivos iniciais.Entre as empresas que foram retiradas do relatório estão a Metais Seridó S.A. (Metasa), suspeita de não ter aplicado integralmente os recursos de R$ 6,6 milhões no projeto incentivado, denúncia essa que resultou na demissão do ex-ministro da Integração Nacional Fernando Bezerra. A empresa pertenceu a Bezerra até 1998.Outro nome que desapareceu do documento da CPI é o da indústria de alimentos Frutop, pertencente ao grupo empresarial do governador do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB).Durante a conclusão da votação do documento final, a maioria dos deputados também aprovou a retirada da Fazenda Barreira Santa Fé que pertenceria ao deputado Osvaldo Coelho (PFL-PE) e estava entre os 531 projetos suspeitos de irregularidades no passado com as verbas do Finor.As conclusões da CPI do Finor foram amenizadas por meio de emendas propostas por integrantes da base governista para modificar as conclusões apresentadas pelo sub-relator de investigações, deputado José Pimentel (PT-CE).O presidente da CPI, deputado Thomaz Nonô (PFL-AL), disse que o Ministério Público, a quem cabe dar continuidade às conclusões da comissão, pode ter acesso aos autos da CPI a qualquer momento.O documento foi aprovado por 13 votos contra três em separado apresentados pela oposição.O relator-geral da CPI, deputado Múcio Sá (PMDB-RN), argumentou que a maioria das irregularidades levantadas pela CPI estavam defasadas por terem sido baseadas em auditorias antigas feitas pelo Tribunal de Contas da União (TCU), pela Secretaria Federal de Controle e pela própria Sudene.O valor que teria sido desviado dos cofres da Sudene, de cerca de R$ 2 bilhões, também foi questionado pela maioria na CPI, que alegou discrepâncias técnicas para restringir em R$ 260 milhões o rombo provocado pelas irregularidades.

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