CPI do DF estuda quebra de sigilos

A CPI instalada na Câmara Distrital de Brasília para apurar as denúncias de desvio de R$ 20 milhões da Associação dos Servidores da Fundação Educacional (Asefe) poderá pedir a quebra de sigilo bancário dos principais envolvidos, incluindo parlamentares de partidos de esquerda, citados como beneficiados com os recursos. A comissão também vai investigar supostas fraudes relacionadas a pagamentos do INSS, apuração que a Polícia Federal também vem fazendo há dois meses.Segundo o presidente da CPI, deputado João de Deus (PPB), na próxima semana a CPI vai começar a montar o cronograma de atuação, mas já definiu que pretende convocar o ex-governador do Distrito Federal, Cristovam Buarque (PT), para depor, já que na conversa gravada entre ex-dirigentes da entidade ele é citado como um dos beneficiários do dinheiro desviado da Asefe. "Solicitamos tanto à Polícia Civil como à Federal, e ao Banco de Brasília (BRB), informações para começarmos a investigar o caminho do dinheiro", afirma o parlamentar. "Mas uma coisa é certa: vamos chamar denunciados e denunciantes para depor."João de Deus afirma que uma das medidas necessárias para desvendar a questão é a quebra de sigilo bancário de todos os envolvidos. "As próprias pessoas acusadas têm interesse em abrir suas contas, para mostrar que não receberam dinheiro da Asefe", afirma o presidente da CPI, ressaltando que a quebra do sigilo só será feita após a chegada dos documentos contábeis. "Queremos saber se os desvios foram mais ou menos que os R$ 20 milhões."As denúncias contra a Asefe foram feitas há duas semanas, quando o ex-diretor da entidade, Marcos Pato, gravou uma conversa que teve com o ex-diretor financeiro da associação, Firmino Pereira do Nascimento Neto, onde ele revela que o rombo foi fruto do financiamento de campanhas de políticos de esquerda. Nascimento citou, nas gravações, os nomes dos deputados distritais Wasny de Roure e Lúcia Carvalho, ambos do PT; o deputado federal do PCdoB, Agnelo Queiróz; e o ex-governador Cristovam Buarque. Todos eles negaram terem recebido recursos ilegais.Depois da denúncia, outros fatos surgiram, também envolvendo figuras da esquerda, como o presidente do PT no Distrito Federal, Wilmar Lacerda, que teria feito um jornal de sua campanha pago pela Asefe. Além disso, a entidade é acusada de ter desviado dinheiro que serviria para pagar o INSS, caso que está sendo apurado pela PF. Na próxima semana, serão chamados a depor dirigentes e ex-dirigentes da Asefe. Atualmente, a Polícia Federal analisa documentos contábeis entregues pela atual diretoria da associação.

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