CPI do Detran convoca ex-secretário de Yeda

Deputados querem ouvir na segunda-feira o depoimento de Martini, que é citado em um grampo entre dois acusados de envolvimento na fraude

Elder Ogliari, PORTO ALEGRE, O Estadao de S.Paulo

13 de junho de 2008 | 00h00

A CPI do Detran, da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, aprovou ontem à noite, por 11 votos a 0, a convocação do ex-secretário-geral de Governo Delson Martini. O depoimento foi marcado para a segunda-feira.Os deputados tinham rejeitado cinco requerimentos anteriores, mas mudaram de idéia quarta-feira da semana passada, com a audição de 34 conversas telefônicas gravadas pela Polícia Federal, com autorização judicial, entre suspeitos de envolvimento no esquema de fraudes que teria desviado R$ 44 milhões do Departamento Estadual de Trânsito (Detran).Em uma delas, o ex-diretor da Companhia Estadual de Energia Elétrica Antônio Dorneu Maciel e o ex-presidente do Detran Flávio Vaz Neto discutem como abordar a governadora Yeda Crusius (PSDB) em um evento para saber se Martini poderia ajudá-los a resolver um impasse. Maciel e Vaz já depuseram à CPI e negaram participação no esquema. Martini, que mantinha silêncio desde o início da CPI, em fevereiro, disse no dia da audição que o fato de ter seu nome citado em gravações não era sua responsabilidade nem prova de envolvimento.A convocação do ex-secretário foi aprovada na mesma sessão em que o presidente da Federação Nacional das Empresas de Seguros Privados e de Capitalização (Fenaseg), João Elisio Ferraz de Campos, depôs à CPI. Ele foi chamado para explicar repasses de R$ 17 milhões feitos pela federação ao Detran entre 2003 e 2007. Outra gravação, divulgada ontem pela imprensa gaúcha, indica que o empresário Lair Ferst, ligado ao PSDB, agia em nome do Detran, embora não fosse seu funcionário. Na escuta, Ferst trata de um encontro entre representantes de uma empresa alemã e o ex-presidente do Detran Flávio Vaz Neto.Durante a investigação, no ano passado, a PF considerou a gravação importante por mostrar a rede de influências que Ferst teria montado. Ele foi um dos 14 presos pela Operação Rodin, da PF, e um dos 39 indiciados no inquérito, assim como Maciel e Vaz. Desde maio, é réu no processo aberto na Justiça com base nas investigações.O empresário já depôs à CPI do Detran e negou ter praticado qualquer atividade irregular. Forte aliado de Yeda, Ferst tem sido alvo da oposição desde a instalação da comissão.FEIJÓJá o vice-governador Paulo Afonso Feijó (DEM) passou a tarde dando informações à força-tarefa do Ministério Público Estadual que investiga irregularidades em autarquias e estatais gaúchas e não quis dar falar à imprensa. Há uma semana, a CPI divulgou gravação de uma conversa em que o então chefe da Casa Civil Cézar Busatto tenta convencê-lo a rever o rompimento com Yeda e se reaproximar do governo e dá a entender que o Detran e o Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul) são grandes fontes de financiamento de partidos aliados.A gravação foi feita no dia 26 de maio pelo próprio vice-governador, que a entregou à deputada Stela Farias (PT), uma das maiores críticas do governo Yeda na CPI. Desde sua divulgação, Busatto já foi demitido, assim como Martini, e a governadora criou um gabinete de transição para reformular sua administração. Na quarta-feira, o PSOL e o PV protocolaram um pedido de impeachment de Yeda na Assembléia.

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