Geraldo Magela/Ag. Senado
Geraldo Magela/Ag. Senado

CPI do Cachoeira convoca dono da Delta e ex-diretor do Dnit

Fernando Cavendish é principal acionista de construtora suspeita de fazer parte das ações do contraventor; Pagot fez denúncias contra petistas e tucanos

Ricardo Britto, da Agência Estado

05 de julho de 2012 | 11h39

BRASÍLIA - Após intenso debate e acusações de direcionamento de investigações pelo PSDB, a CPI do Cachoeira aprovou nesta quinta-feira, 5, a convocação do principal acionista da Delta Construções, Fernando Cavendish; do ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) Luiz Antonio Pagot e do prefeito de Palmas, Raul Filho (PT). Sob protestos do PSDB, também foi aprovada a convocação do ex-diretor da Dersa Paulo Vieira dos Santos, o Paulo Preto.

Em uma votação em bloco com o apoio unânime de 26 integrantes, a comissão aceitou chamar sete pessoas, seguindo o roteiro traçado pelo relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG). A oposição acusou o relator de não convocar no mesmo bloco o deputado federal José de Fillipi (PT-SP), que foi tesoureiro da campanha de Dilma Rousseff.

Com 11 pedidos para comparecer à CPI, o dono da Delta foi convocado porque a empreiteira é suspeita de ser usada no desvio de recursos e pagamento de propinas a autoridades pelo esquema do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. A Delta é a principal empreiteira do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC.

A comissão aprovou a convocação do prefeito de Palmas, flagrado em um vídeo no qual negocia apoio de Cachoeira para as eleições de 2004. Raul Filho já havia enviado ofício à comissão colocando-se à disposição para depor. Existiam seis pedidos para trazê-lo à comissão.

O ex-diretor do Dnit foi convocado para falar sobre as acusações de que petistas e tucanos teriam exercido pressão para arrecadações de campanha presidenciais de Dilma Rousseff e José Serra. O Dnit também tem contratos com a Delta, investigada pela CPI.

O motivo de maior protesto durante a sessão foi a convocação do ex-diretor da estatal que cuida das rodovias do Estado de São Paulo (Dersa), Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto. A Dersa firmou contratos com a Delta e o ex-diretor do Dnit acusou Paulo Preto de ter feito caixa dois em campanhas tucanas.

A comissão convocou a ex-mulher de Cachoeira, Andréa Aprígio, apontada pelas investigações da CPI e pela Polícia Federal como laranja do esquema de corrupção do contraventor. Outro convocado foi o empresário paulista Adir Assad, cujas empresas receberam R$ 50 milhões da Delta. A suspeita é que seja laranja do contraventor.

No bloco, a CPI aprovou o convite para que o juiz federal Paulo Augusto de Moreira Lima vá à comissão. Responsável por decretar a prisão de Cachoeira e seu grupo, o juiz federal deixou o caso porque disse ter sido ameaçado de morte.

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