CPI do Cachoeira adia votação para convocar Pagot e ex-diretor da Delta

Parte dos parlamentares defendeu que ainda não era momento de chamar o ex-diretor de órgão dos Transportes, que fez denúncias recentes envolvendo o PSDB e PT

Ricardo Brito e Eugênia Lopes

14 de junho de 2012 | 13h01

BRASÍLIA - A CPI do Cachoeira decidiu adiar a votação da convocação do ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre (DNIT), Luiz Antonio Pagot. A decisão foi tomada com 17 votos contrários à convocação imediata e 13 contrários, durante sessão da CPI do Cachoeira, nesta quinta-feira, 14. Antes disso, a CPI havia rejeitado a convocação do ex-presidente da Delta Construções, Fernando Cavendish.

Assim como propôs no caso de Cavendish, o relator da comissão, deputado Odair Cunha (PT-MG), disse que o melhor no atual momento seria retirar o pedido de convocação de Pagot. "Precisamos nos ater nas informações que são da CPI. Se o Pagot quer vir à CPI, ele terá oportunidade segundo a nossa conveniência. Se ele quer fazer uma denúncia, ele procure a Polícia Federal", disse Cunha.

O senador Pedro Taques (PDT-MT) afirmou que Pagot "está desesperado para falar". Segundo Taques, há parlamentares "com medo" do que o ex-diretor do Dnit pode dizer.

Pagot já concedeu entrevistas à imprensa levantando suspeitas de irregularidades envolvendo caciques do PSDB e do PT. "Nós precisamos encontrar o que está no fato determinado pela CPI", afirmou Taques, referindo-se a suspeitas de corrupção no DNIT.

Após o resultado, o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) questionou se a comissão está com "medo da revelação da verdade". "A CPI, dois dias depois do governo ter declarado inidônea a Delta, se recusa a convocar o seu dono. Isso revela uma tropa de cheque, sim", afirmou o deputado, em resposta ao deputado Candido Vaccarezza (PT-SP), que o desafiou a apresentar os nomes da chamada "bancada do cheque".

Cavendish. O relator da comissão, deputado Odair Cunha (PT-MG), fez a defesa por retirar da pauta o pedido de chamar o ex-presidente da Delta. "O que tem de motivar a convocação é a análise da investigação. Por isso, neste momento, entendo não ser (o ideal) a aprovação ou a rejeição desse requerimento. Por isso proponho esse sobrestamento", declarou Cunha.

O deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ), ligado ao governador do Rio, Sérgio Cabral, que, por sua vez, é amigo de Cavendish, também concordou com a posição do relator, ou seja, pelo adiamento da decisão. "Nós não temos de ter a ânsia de convocar sem ter o que perguntar, apenas para fazer o espetáculo de quem quer que seja", disse.

O líder do PSDB no senado, Alvaro Dias (PR), afirmou que a convocação de Cavendish é "urgente, inadiável e imprescindível". Dias argumentou que Cavendish já teria dito à imprensa que "compra políticos".

O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) também era favorável à convocação. "Podemos votar hoje a convocação de Cavendish e deixar a data para ser determinada quando maiores elementos chegarem à CPI. Não é, portanto, uma postura radical. Procuro o caminho do bom senso", defendeu.

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