André Dusek|Estadão
André Dusek|Estadão

CPI do BNDES se reunirá com Moro, que colocou Bumlai à disposição

Pecuarista foi preso na Lava Jato no mesmo dia em que iria depor na comissão da Câmara; juiz avisou presidente da CPI que o empresário poderá ser ouvido a partir da semana que vem

O Estado de S. Paulo

24 Novembro 2015 | 11h44

Brasília - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura irregularidades no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) vai ter uma reunião na sexta-feira, 27, com o juiz Sergio Moro, da Justiça Federal no Paraná, para decidir que dia será o depoimento do empresário José Carlos Bumlai.

Amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Bumlai foi preso preventivamente nesta manhã na 21ª etapa da Operação Lava Jato. Ele foi detido em um hotel em Brasília. Pela tarde, Bumlai deveria prestar um depoimento à CPI do BNDES, que investiga se ele foi beneficiário de supostas empréstimos com irregularidades.

Moro comunicou ao comando da CPI que Bumlai estará à disposição da comissão a partir da semana que vem. Na sexta-feira, o juiz deverá se reunir com o presidente da CPI, Marcos Rotta (PMDB-AM), para definir como e onde será o depoimento de Bumlai. O mais provável é que o empresário seja ouvido em Curitiba, onde fica preso a partir desta terça.

No ofício, o juiz pede desculpas pela prisão cautelar do empresário ter acontecido no dia em que estava marcado o depoimento. "Por questões operacionais, que fogem ao controle do Juízo, a medida foi implementada na presente data pela Polícia Federal. A efetivação da medida inviabiliza, infelizmente, a oitiva dele (Bumlai) prevista para esta data. (...) Peço escusas pelo ocorrido", escreveu Moro. 

O presidente da CPI contou ao Broadcast Político, serviço em tempo real da Agência Estado, que o juiz mandou mensagem de texto e ligou para seu celular logo pela manhã para falar sobre a prisão e pedir desculpas. "Ele disse ainda que lamentava ter atrapalhado os trabalhos da CPI e pediu a gentileza de não marcar novo depoimento para essa semana", afirmou o deputado. "Foi muito elegante a posição dele", acrescentou. 

Marcos Rotta afirmou que a CPI pretende ouvir Bumlai já na próxima semana. O parlamentar defendeu que a oitiva aconteça na própria Câmara dos Deputados, em Brasília, e não em Curitiba, para onde o empresário foi levado após ser preso hoje. "Tem que ouvir aqui, onde a CPI funciona. Não vamos ouvir preso em delegacia", justificou. 

O deputado informou que a reunião de desta terça da CPI, marcada para 14h30, está mantida. Segundo Rotta, antes do encontro, ele deverá fazer uma reunião com os membros do colegiado para decidir principalmente sobre a questão da prorrogação dos trabalhos da CPI, previstos para acabar em 4 de dezembro. "Vamos discutir a formação de uma comissão para falar com o presidente da Casa (Eduardo Cunha) sobre isso", disse.

Requerimento. Integrante da CPI, o deputado Betinho Gomes (PSDB-PE) afirmou que a bancada do PSDB está articulando a apresentação de um requerimento para ir à Curitiba escutar Bumlau. "Trazê-lo para cá vai levar mais tempo", justificou. Conforme o parlamentar, o pedido deve ser apresentado hoje na CPI, para que seja votado na próxima sessão deliberativa. 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.