Gabriela Bilo|Estadão
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CPI do BNDES aprova convocação de Bumlai

Parlamentares querem apurar empréstimo do banco para a empresa do pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula

Daiene Cardoso, O Estado de S. Paulo

12 Novembro 2015 | 11h05

Atualizado 12/11

Brasília - A Comissão Parlamentar de Inquérito que apura irregularidades no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou nesta quinta-feira, 12, a convocação do empresário e pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e investigado no esquema de corrupção na Petrobrás. Pegos de surpresa, os governistas agora vão tentar retardar ao máximo o depoimento. O objetivo é trabalhar contra a prorrogação da CPI, cujo término está marcado para o mês que vem. 

Ontem mesmo, o PT apresentou um recurso alegando que o requerimento de convocação de Bumlai foi incluído na pauta de última hora, sem atender a normas regimentais. O presidente da CPI, Marcos Rotta (PMDB-AM), prometeu decidir sobre o assunto na semana que vem. Se ele rejeitar o pedido, o PT estuda apresentar um novo recurso à Mesa Diretora da Câmara. Assim, o caso poderá acabar nas mãos do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

 

Por 16 votos a três, a oposição conseguiu derrubar a blindagem montada pelo PT há semanas. A pedido do ex-presidente Lula, o partido tenta evitar a exposição do empresário com quem o petista mantém uma relação próxima desde 2002. Bumlai é dono de uma usina de álcool que fez empréstimos com o BNDES e que acumula atualmente uma dívida de cerca de R$ 1,2 bilhão e se encontra à beira da falência.

O empresário nega qualquer ilicitude e diz também não ter qualquer relação com o esquema investigado na Lava Jato.

Manobra. A convocação deu certo graças a uma estratégia da oposição. Deputados do PSDB e do PPS encontraram um artigo no Regimento Interno da Câmara que permite retomar discussões de votações já iniciadas na sessão anterior. Na semana passada, a convocação de Bumlai chegou a entrar na pauta e teve a discussão iniciada. Contudo, a votação não ocorreu porque o governo impediu e também porque a sessão do plenário começara.

Na quinta, logo na abertura dos trabalhos da CPI, o deputado Arnaldo Jordy (PPS-SP) apresentou uma questão de ordem pedindo a retomada da votação sobre o requerimento de Bumlai. A ação pegou de surpresa a base governista, que não tinha número suficiente de parlamentares para impedir a convocação de Bumlai. Na sequência, governistas deixaram a sala da reunião da CPI para derrubar o quórum.

“Tudo foi pensado na véspera. Mapeamos quem tinha mágoa ou desentendimento com o governo”, disse o deputado Alexandre Baldy (PSDB-GO). 

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