CPI do Banespa volta a causar tumulto

A CPI que investiga a intervenção do Banco Central no Banespa voltou a viver momentos de tensão. Mais uma vez, o relator da comissão, deputado Robson Tuma (PFL-SP), ameaçou de prisão um depoente. O incidente fez com que o presidente da CPI, deputado Luiz Antônio Fleury (PTB-SP), suspendesse a sessão por cinco minutos "até que os ânimos se acalmassem".A vítima da irritação de Tuma foi o procurador aposentado do BC, Manoel Lucívio de Loiola. Na quarta-feira, o relator também havia ameaçado prender o ex-presidente do Banespa, Carlos Augusto Meinberg. Como relator, Tuma tem prioridade em questionar os depoentes, e tem se destacado pela agressividade usada em suas inquisições. Um comportamento sempre criticado, de forma privada, por seus colegas de CPI. Os mesmos que, em público, elogiam o relator. Durante a interrupção dos trabalhos de hoje, um deles comentou que era "mais um showzinho do relator". Aos 33 anos e no quarto mandato, Tuma disse ter orgulho do caminho que traçou e de onde chegou. E sempre destacando que é "bacharel em direito", ele já admitiu para vários depoentes que tem dificuldades para entender alguns aspectos técnicos da investigação. O que, aliás, é uma condição comum à maior parte dos parlamentares integrantes da comissão, e que tem provocado a demora dos depoimentos. Até agora, somente os ex-presidentes do BC Pérsio Arida e Gustavo Loyola conseguiram falar com tranqüilidade à comissão, por terem adotado um discurso mais didático. Eles obtiveram a cordialidade de Tuma.No depoimento de Meinberg, o relator disse que se sentisse que ele estava desacatando uma autoridade, mandaria prendê-lo. Ante o olhar de incredulidade do depoente, Tuma ordenou: "E não me olhe com olhar de intimidação". Já Loiola, quando ameaçado, rebateu: "Faça cumprir a sua ordem". Mas Fleury optou pela suspensão da sessão.

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