CPI do Banespa será ampliada

Os integrantes da CPI do Banespa vão estender as investigações da Comissão ao período anterior à decretação da intervenção do banco, em 29 de dezembro de 1994.Com isso, a CPI poderá analisar também os períodos que envolveram os governos do atual presidente da Comissão, deputado Luiz Antônio Fleury Filho (PPB-SP), e do ex-governador Orestes Quércia.A confirmação foi dada tanto pelo deputado Ricardo Berzoini (PT-SP) quanto pelo relator Robson Tuma (PFL-SP). ?Eu defendi, inclusive em uma questão de ordem levantada no final de agosto, que não existem obstáculos para que essas investigações sejam feitas?.Tuma disse que não sentirá nenhum constrangimento em investigar quem quer seja, em que período for. Isso abre espaço, nas entrelinhas, para uma convocação do próprio Fleury, caso as investigações cheguem ao presidente da Comissão.Fleury não demonstrou contrariedade quanto à decisão. ?Eu também acho que esse período deve ser investigado, como também o processo de privatização do banco, ocorrido em 2000?.Pela primeira vez, contudo, ele admitiu que, caso surja algum indício de envolvimento pessoal em alguma irregularidade detectada, poderá abrir mão da presidência em nome de algum dos vice-presidentes da Comissão.O diretor de Finanças Públicas e Regimes Especiais do Banco Central, Carlos Eduardo de Freitas, que responsabilizou os governos de Orestes Quércia e de Luiz Antonio Fleury pela quebra do Banespa, esclareceu nesta terça-feira a analogia que fez entre o Banpará, do escândalo que envolveu o ex-senador Jader Barbalho, e o Banespa.Disse que não pode estabelecer comparação quanto à emissão irregular de cheques administrativos no Banpará e os problemas ocorridos no Banespa, como também não disse que os ex-governadores de São Paulo foram agentes do uso do dinheiro.Afirmou, no entanto, que, nos dois casos, ?os atos de gestão só poderiam ter sido praticados mediante interferência de interesses políticos estranhos aos objetivos econômicos genuínos dos bancos?.A CPI do Banespa ouviu nesta terça o depoimento do presidente da Comissão de Inquérito do Banco Central durante a intervenção do Banespa, Antônio Carlos Verzolla.Ele confirmou as informações divulgadas pelo Estado, no último domingo, de que o rombo no Banespa ? causa da intervenção ? foi provocado por operações irregulares do Banco junto ao governo de São Paulo e por empréstimos a 22 empresas que não tinham condições de saldar seus débitos posteriormente.Verzolla declarou também que esses empréstimos aconteceram, essencialmente, no período de 91 a 93, durante o governo Fleury.Os integrantes da CPI questionaram diversos pontos do depoimento. O principal deles é a suspeita de que houve alteração no relatório final da Comissão de Inquérito, para justificar a intervenção e posterior privatização do Banespa.No dia 29 de maio de 1995, Verzolla enviou uma carta ao então subprocurador-geral do BC, Manoel Lucívio Loiola, afirmando que o Estado de São Paulo estava pagando em dia a sua dívida com o Banespa, explicitando inclusive os dias de pagamento. Dessa maneira, não se podia incluir essa dívida como créditos em liquidação.No dia 17 de agosto, uma carta assinada pelo diretor de fiscalização, Cláudio Mauch, e pelo diretor Alkimar Moura orienta para que essa dívida seja incluída como crédito em liquidação.O próprio Verzolla admitiu que, se essa dívida não fosse apresentada dessa maneira, o inquérito seria arquivado e a intervenção suspensa. ?Mas era uma dívida que já estava sendo rolada, com sucessivos empréstimos não saldados?, tentou consertar ele.Só que a explicação não convenceu alguns deputados. ?Se a intervenção fosse suspensa, o banco voltaria para as mãos do governador Covas que, com certeza, jamais permitiria que ele fosse privatizado?, concluiu o deputado Berzoini.

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