CPI do Apagão Aéreo não será antecipada, admite Chinaglia

O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), avisou nesta segunda-feira, 2, aos líderes da oposição que não vai instalar a CPI do Apagão Aéreo antes de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e provocou um racha na oposição. Os oposicionistas divergiram sobre qual tática adotar para forçar o governo a instalar imediatamente a CPI do Apagão Aéreo. Enquanto o Democratas (ex-PFL) decidiu impedir as votações no plenário da Câmara desde esta segunda-feira para pressionar Chinaglia, o PSDB e o PPS posicionaram-se contra a obstrução e prometem votar as oito medidas provisórias da pauta. Nesta terça-feira, a oposição pretende se reunir com a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Ellen Gracie, para pedir o julgamento o mais rápido possível sobre o pedido para instalação da CPI do Apagão Aéreo. "Sempre se vota, mesmo havendo obstrução", afirmou Chinaglia, ao argumentar que a CPI não poderá ser instalada enquanto não houver julgamento do plenário do Supremo sobre o assunto. Para Chinaglia, os controladores de vôo estão no centro da crise no setor aéreo. "Os últimos episódios envolvendo uma atitude de insubordinação ressalta a responsabilidade que os controladores têm no processo da crise", disse o presidente da Câmara, que encontrou-se nesta segunda-feira com o comandante da Aeronáutica, Junito Saito. "Esperar todo trâmite da CPI para resolver o problema seria uma imprudência", completou. "Os controladores se apresentaram como o problema", observou o líder do governo na Câmara, José Múcio Monteiro (PTB-PE). Oposição rachadaOs líderes de oposição reuniram-se com Chinaglia para fazer um apelo a fim de que a CPI do Apagão Aéreo seja instalada imediatamente. "Seria melhor que os três partidos de oposição estivessem na mesma linha. O PSDB entende que a obstrução não vai ajudar em nada. Estamos aptos a votar", disse o líder dos tucanos, deputado Antonio Carlos Pannunzio (SP). "Obstruir não vai acrescentar nada para que a CPI saia ou não", argumentou o líder do PPS, Fernando Coruja (SC), que também participou da reunião. "O presidente Chinaglia tem todas as condições de instalar essa CPI logo. E enquanto não houver essa instalação, temos a decisão de não permitir votação", afirmou o líder do DEM, deputado Onyx Lorenzoni (RS). "Não é o momento de fazer obstrução", observou o líder da minoria, deputado Júlio Redecker (PSDB-RS). Governo não querO governo permanece, no entanto, irredutível e não quer o funcionamento da CPI do Apagão Aéreo. "CPI é mais sinônimo de colocar fogo no circo do que de serenar os ânimos. Por isso, neste momento, CPI para este assunto pode atrapalhar mais do que ajudar", observou o vice-líder do governo, deputado Henrique Fontana (PT-RS). Ele é favorável que Chinaglia aguarde a decisão do Supremo para a instalação ou não da comissão de inquérito. Fontana defendeu também a criação de comissão especial para analisar a crise do setor aéreo. Durante o mês de março, os três partidos de oposição obstruíram as votações na Câmara em represália ao recurso apresentado pelo PT que suspendeu temporariamente a instalação da CPI do Apagão Aéreo. Mas agora, a oposição se dividiu e o Democratas vai tentar sozinho impedir a votação das oito medidas provisórias, entre elas cinco que tratam do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Na reunião com os líderes de oposição, o presidente Chinaglia reiterou que a CPI do Apagão Aéreo não vai funcionar enquanto o Supremo não julgar o pedido dos oposicionistas que solicitaram a instalação da comissão de inquérito. Na quinta-feira passada, o ministro Celso Mello determinou o desarquivamento da CPI, mas jogou para o plenário do Supremo a decisão final sobre a instalação ou não da comissão de inquérito. A expectativa é que o julgamento do STF só ocorra no fim deste mês. Este texto foi ampliado às 20h03

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