CPI diverge sobre convocação de executivos presos

Presidente da comissão diz querer ouvir presidentes da Odebrecht e da Andrade Gutierrez, mas ainda não há consenso entre petistas

LÍGIA FORMENTI / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2015 | 02h04

Parlamentares do PT e do PMDB divergem sobre a convocação dos executivos Marcelo Odebrecht e Otávio Marques de Azevedo para depor na CPI da Petrobrás. Enquanto o presidente da comissão, deputado Hugo Motta (PMDB-PB), defende que os empresários sejam chamados para prestar esclarecimentos a parlamentares, o deputado Valmir Prascidelli (PT/SP) diz que ainda não é necessário.

"Não há informações suficientes sobre as condições da prisão dos empresários", afirmou Prascidelli. Para o parlamentar petista, o melhor seria aguardar o depoimento dos empresários para Polícia Federal, reunir informações e somente então, caso fosse de fato necessário, se convocariam os executivos para maior esclarecimentos. "Há uma fila de requerimentos. Há muito o que ser ouvido. Não faz nenhum sentido aumentar ainda mais a lista de atividades", disse.

O presidente da CPI discorda. "Para nós não há nenhuma dificuldade em levá-los para serem ouvidos. Foi assim com outros empresários, será assim com eles", disse ele ontem. Embora seja enfático ao afirmar que os empresários serão chamados, Motta admite não estar esperançoso em relação ao resultado prático de tal operação.

"É algo muito limitado. Assim como ocorreu com outros envolvidos, eles podem optar pelo silêncio. Isso não é bom para CPI", reconheceu. "Mas mesmo assim vamos chamá-los", emendou. A expectativa é a de que o pedido de convocação seja formalizado na primeira semana de julho.

Os presidentes das empreiteiras Odebrecht e Andrade Gutierrez foram presos pela Polícia Federal na sexta-feira passada durante mais recente etapa da Operação Lava Jato. As prisões foram motivadas por pagamento de propina no exterior, via offshores, segundo os promotores do Ministério Público Federal que atuam em força-tarefa no caso.

Eles estimam em R$ 510 milhões o valor de propinas pagas pela Odebrecht no esquema da Petrobrás e R$ 200 milhões pela Andrade Gutierrez. As duas empresas negam. Ao todo, as empreiteiras denunciadas na Lava Jato teriam pago R$ 710 milhões, segundo o MP. Odebrecht e Andrade Gutierrez foram citadas por Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, e Pedro Barusco, ex-gerente da estatal. Na operação de sexta, chamada Erga Omnes, outros 10 executivos também foram presos.

Convocações. Prascidelli lembrou que a convocação de outros executivos não trouxe resultado prático. "Esse movimento é feito apenas por deputados que querem transformar a CPI em palco, querem ter seu minuto de fama", avaliou. "A CPI não pode ficar a reboque de prisão de um ou outro", completou. Para ele, a CPI está longe de exercer um papel de protagonismo. "Os trabalhos correm atrás do que foi feito pelo Ministério Público. E o pouco que será reunido pela CPI será também remetido para o MP", disse.

Do lado oposto, Júlio Delgado (PSB-MG) quer pressa nos trabalhos da comissão. Ele avalia que essa nova etapa da Operação Lava Jato abre uma nova frente de investigação para a CPI. "Vemos que a rede de propina tinha várias ramificações. A que começa a ser desvendada agora é um novo caminho, precisa ser levada adiante", avaliou.

Delgado defende que a comissão dê prioridade para atuação das duas empreiteiras. E, para isso, defende que outros requerimentos, já aprovados, cedam o lugar para a o depoimento dos dois empresários. "Temos de ter foco e prioridade. De nada adianta serem aprovados mais de uma centena de requerimentos, se eles não são da relevância necessária."

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