CPI deve denunciar petista por estelionato

A CPI da Segurança Pública do Rio Grande do Sul deve denunciar o presidente do Clube de Seguros da Cidadania, o petista Diógenes de Oliveira, por estelionato e tráfico de influência.Os enquadramentos se baseiam no desvio de doações recebidas pelo clube para a compra de uma sede para o PT em 1998 e na utilização do nome do governador Olívio Dutra para pedir que a polícia gaúcha não reprimisse o jogo do bicho - o que o próprio Diógenes qualificou de um "carteiraço" no ex-chefe de Polícia Luiz Fernando Tubino.O relator da CPI, deputado Vieira da Cunha (PDT), ainda faz mistério sobre as conclusões finais de seu relatório, que será votado na quarta-feira da próxima semana, mas tudo aponta para uma denúncia ao Ministério Público dos dirigentes do clube e um pedido de nova comissão de inquérito para investigar mais profundamente as ligações do PT e do governo estadual com os bicheiros."A cada sessão, vai aumentando a minha convicção de que estamos diante de uma operação totalmente nebulosa", afirma o pedetista, referindo-se às suspeitas de que o PT tenha recebido dinheiro do bicho na campanha de 1998.Interrogado durante mais de oito horas nesta segunda-feira, Diógenes não conseguiu dar explicações convincentes sobre a origem dos R$ 310 mil utilizados na compra do prédio cedido em comodato ao PT.De acordo com a lista de doações apresentadas à CPI e os extratos bancários, o Clube da Cidadania não teria recursos suficientes para o pagamento da entrada do imóvel, em julho de 1998, nem para sua quitação, em dezembro.Pressionado, o petista disse que arrecadou R$ 80 mil numa "vaquinha" entre amigos, mas não lembrava dos nomes, oferecendo-se para buscar a lista no final do depoimento. Antes disso, entretanto, passou mal enquanto respondia a uma bateria de 70 perguntas do deputado Francisco Appio (PPB).Com pressão alta e taquicardia, diagnosticada pelo médico da Assembléia Legislativa, Diógenes interrompeu seu depoimento e foi levado às pressas ao Instituto de Cardiologia.A CPI quer prosseguir o interrogatório nesta quinta-feira, mas, de acordo com os boletins médicos, o petista permanecerá internado por tempo indeterminado para observação clínica."Se ele não vier depor, será o primeiro motivo para uma nova CPI, já que o nosso trabalho ficará inconcluso", afirmou, nesta terça-feira, o deputado Mário Bernd (PPS), um dos integrantes da comissão.O objetivo da oposição é continuar expondo o governo Olívio ao desgaste das denúncias sobre envolvimento com o jogo do bicho até as vésperas das eleições de 2002 e tentar encontrar outras irregularidades.Por enquanto, a maioria dos parlamentares opina que não há condições de responsabilizar formalmente o governador pelos episódios. Diógenes assumiu total responsabilidade pela conversa com Tubino, que foi gravada e divulgada na CPI, e embora muitos deputados suspeitem dessa versão, que inocenta Olívio, ela ainda persiste.Um delegado amigo de Tubino, José Francisco de Oliveira Freitas, chegou a declarar que o ex-chefe de Polícia teria recebido do governador um sinal verde para falar com Diógenes."O Olívio disse que o Diógenes era da sua absoluta confiança e que falava em seu nome", garante Freitas, prometendo divulgar uma carta de Tubino confirmando a história. O advogado do ex-chefe de Polícia, entretanto negou tudo."Isso é uma mentira deslavada dele, que vai ficar provada nos próximos dias", prometeu o advogado Cesar Prates. De acordo com Prates, Tubino está disposto a depor novamente para esclarecer os boatos e ser acareado com outros delegados, que o acusaram de ter dito, numa reunião em 1999, que a "mordida" no jogo do bicho estava proibida porque o dinheiro seria canalizado para obras sociais do governo.Os prazos da comissão, entretanto, estão totalmente esgotados. Nesta quinta-feira, por exemplo, estão previstos 10 depoimentos de delegados e seis de doadores do Clube da Cidadania."Uma entidade que pegava dinheiro de sindicatos e entidades de classe para repassar ao partido tinha a obrigação de ser transparente, ainda mais sendo do PT, que sempre teve a ética como bandeira", afirmou Vieira da Cunha.A comissão de ética do PT que analisará o caso só será instalada neste sábado, com a posse dos novos membros indicados a partir da eleição direta do partido.

Agencia Estado,

06 de novembro de 2001 | 19h46

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