CPI deve aprovar relatório final nesta quinta-feira

Após seis meses de funcionamento, integrantes da CPI dos Sanguessugas deverão aprovar nesta quinta-feira o relatório final com a recomendação de indiciamento por crime eleitoral e crime contra o sistema financeiro de quatro envolvidos na compra do dossiê contra políticos tucanos. Parlamentares da base aliada tentarão tirar do relatório o pedido de indiciamento do petista Jorge Lorenzetti, que trabalhou no comitê de campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e foi apontado pela Polícia Federal como o mandante da compra do dossiê. "Só pode ter pedido de indiciamento se o relator apresentar provas", argumentou nesta quarta-feira a líder do PT no Senado, Ideli Salvati (SC). Ela reconheceu que o maior empecilho para a aprovação do relatório é o pedido de indiciamento de Lorenzetti, que é de seu Estado. A petista sinalizou que não pretende fazer um cavalo de batalha nem inviabilizar a votação do relatório, caso não se chegue a um acordo para a retirada do nome de Lorenzetti. "É muito pior acabar a CPI sem relatório", observou Salvati. A líder petista também defendeu que, no relatório final, seja pedido o indiciamento do empresário Abel Pereira, que é ligado ao ex-ministro tucano da Saúde e atual prefeito de Piracicaba, Barjas Negri. "Mas não vou brigar para colocar nada que eu não tenha a convicção de que a Polícia Federal já esteja fazendo", disse Salvati. Em sua avaliação, a CPI dos Sanguessugas "não acrescentou nada", uma vez que todas as investigações e descobertas foram feitas pela Polícia Federal. A CPI tem o prazo de funcionamento até a próxima terça-feira, dia 19. O relatório do senador Amir Lando (PMDB-RO) será apresentado nesta quinta-feira à CPI. Governistas e oposicionistas negociam para que o documento seja votado. Além de Lorenzetti, o relator Amir Lando vai propor o indiciamento de Valdebran Padilha e Gedimar Passos, que foram presos no dia 15 de setembro com R$ 1,75 milhão no Hotel Íbis, em São Paulo. Esse dinheiro seria usado para a compra do dossiê contra políticos tucanos. Já Hamilton Lacerda, ex-assessor do senador Aloizio Mercadante (PT-SP), será acusado de ter levado o R$ 1,75 milhão para Valdebran e Gedimar. Sob a alegação de que falta de provas, Lando não vai apontar a origem do dinheiro para a compra do dossiê. A interlocutores, o relator confidenciou ter certeza que o dinheiro veio de caixa 2 de campanha eleitoral. O relatório final da CPI dos Sanguessugas também vai concluir que não há como apontar culpados no PSB, que comanda o Ministério da Ciência e Tecnologia, de envolvimento com a máfia das ambulâncias. Em depoimento à CPI e à Polícia Federal, Luiz Antonio Trevisan Vedoin, um dos donos da Planam, principal empresa da máfia das ambulâncias, apontou a existência de esquema no Ministério da Ciência e Tecnologia com desvios de recursos na compra de equipamentos utilizados para a inclusão digital. Mas, a CPI não conseguiu provar as declarações de Vedoin. Nas cerca de mil páginas, o relatório de Amir Lando trará ainda propostas para melhorar a execução orçamentária. Ele deve propor a adoção do orçamento impositivo - que obriga o Executivo a cumprir o que está previsto na proposta na lei orçamentária. Lando vai incluir também uma proposta de projeto de lei que acaba com o repasse de recursos da União para as organizações não-governamentais (ONGs).

Agencia Estado,

14 Dezembro 2006 | 07h53

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.