CPI detalha relação de 60 prefeitos com 37 parlamentares

A CPI dos Sanguessugas deu nesta quinta-feira, 31, mais um passo para identificar 60 prefeitos envolvidos na máfia das ambulâncias ao mostrar de que forma eles se relacionavam com os 37 parlamentares que receberam propina na própria conta ou na de assessores ou parentes.A ligação de cada um deles, prefeitos e deputados, está detalhada nos mapas da corrupção apresentados pelo sub-relator de Sistematização da CPI, deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP). Os documentos mostram a ligação das prefeituras com os deputados e suas emendas para compra de ambulâncias superfaturadas e os depósitos feitos pelas empresas do esquema.De acordo com o deputado, toda a triangulação está embasada no depoimento à CPI de um dos chefes da quadrilha, empresário Luiz Antonio Vedoin. É ainda com base no que disse Vedoin que a CPI - segundo Sampaio - vai investigar a "lógica" da liberação das emendas. Ou seja: vai checar se, a exemplo do que ocorria com o mensalão, o governo facilitava a liberação de emendas em determinadas votações ou então para atrair parlamentares para a base aliada.Dos 60 prefeitos, 40 receberam as ambulâncias. Os dados mostram que de fevereiro de 2002 a julho do ano passado, os 60 prefeitos receberam propinas no valor total de R$ 750,14 mil. O valor varia de R$ 2 mil a R$ 125,4 mil, depositado na conta do prefeito de Nova Marilândia, em Mato Grosso, José Aparecidos dos Santos (PFL).Os 60 prefeitos são filiados ao PMDB (18), PFL (12), PTB (5), PDT (5), PSDB (4), PPS (4), PL (3), PSB, PRP e PP, com dois prefeitos e PT, PSL e PV, com um envolvido. Mato Grosso, com 11 prefeitos, Rio de Janeiro (8), e Bahia (7) são os Estados com maior números de prefeituras citadas no esquema.Carlos Sampaio informou que a CPI deve quebrar o sigilo bancário dos assessores que intermediaram o dinheiro da propina. Outro alvo da investigação, conforme adiantou, é o de identificar os parlamentares que gerenciavam as emendas de bancada. "Eram eles, os gerentes, quem cooptavam parlamentares da bancada para o esquema e muitas vezes eles não tinham ciência do que se passava", explicou o sub-relator.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.