CPI deixa políticos fora de convocações

Manobra de líderes de partidos da comissão que investiga Petrobrás na Câmara permite que parlamentares se manifestem voluntariamente

PEDRO VENCESLAU , RICARDO DELLA COLETTA , DANIEL CARVALHO / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

18 de março de 2015 | 02h02

Os líderes dos principais partidos que compõem a CPI da Câmara para investigar o esquema de corrupção na Petrobrás fizeram acordo para não convocar os políticos supostamente envolvidos no caso. Aqueles que quiserem se manifestar poderão ir voluntariamente à comissão, em uma condição mais confortável, já que não falarão sob juramento. A manobra, além de garantir a blindagem de seus quadros na CPI, tem por objetivo deixar para o Conselho de Ética o ônus de punir parlamentares.

O primeiro investigado a comparecer voluntariamente à CPI foi o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), na semana passada. Durante quatro horas e meia, Cunha foi alvo de pouquíssimos questionamentos, mas recebeu uma série de elogios e declarações de apoio por parte de integrantes de partidos governistas e oposicionistas. Para evitar longas sessões de desagravos, o presidente da comissão, Hugo Motta (PMDB-PB), deve delimitar o tempo para a realização de depoimentos voluntários.

PSOL e PPS apresentaram requerimentos para convocar todos os parlamentares citados pela Procuradoria-Geral da República na lista entregue ao Supremo Tribunal Federal. Na relação estão 22 deputados e 12 senadores com mandato. Motta diz que todos os requerimentos serão colocados em votação.

Convocações. Mas, como há o acordo, a tendência é que as convocações de políticos não sejam aprovadas pelos membros da CPI. "Eu imagino que não haverá convocação, que a Comissão priorizará a Petrobrás e que a Corregedoria vai apurar a conduta dos deputados", diz o deputado Leonardo Picciani (RJ), líder do PMDB.

Para evitar que o núcleo político dos supostos envolvidos na Lava Jato seja poupado, o PSDB encomendou um estudo "técnico e político" sobre os casos dos parlamentares que constam da lista. A ideia é apresentar à Corregedoria e ao Conselho de Ética uma relação de parlamentares com casos potencialmente mais graves. O principal alvo deve ser o PP, que tem o maior número de políticos na relação de investigados.

"Não queremos fazer denúncia demagógica, nem poupar ninguém. Nossa consultoria vai pegar caso a caso", diz o deputado Nelson Marchezan (RS), representante do PSDB no Conselho.

Duque. O juiz federal Sérgio Moro autorizou que o ex-diretor de serviços da Petrobrás Renato Duque seja levado à capital federal para prestar depoimento à CPI. Como a Câmara não permite que pessoas presas prestem depoimentos na Casa, Duque será ouvido amanhã na superintendência da Polícia Federal em Brasília. Ele foi preso na segunda-feira passada, na décima fase da Operação Lava Jato.

Em reunião administrativa realizada ontem, o comando da CPI estabeleceu um cronograma de novas convocações. Na quinta-feira da semana que vem, será ouvido Julio Faerman, representante da SBM Offshore no Brasil. O depoimento do ex-gerente-geral da refinaria Abreu e Lima Glauco Legatti está marcado para 31 de março. E o novo diretor de Gás e Energia da companhia, Hugo Repsold, deve comparecer à CPI no dia 7 de abril.

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