CPI das Milícias quer ouvir deputados Itagiba e Magessi

A CPI das Milícias da Assembléia Legislativa do Rio decidiu hoje, por unanimidade, convidar os deputados federais Marcelo Itagiba (PMDB-RJ) e Marina Magessi (PPS-RJ) para prestar esclarecimentos sobre a acusação de envolvimento deles com milicianos. Eles foram citados na semana passada pelo vereador Nadinho (DEM) e pelo presidente da Associação de Moradores da Favela Gardênia Azul, o bombeiro Cristiano Girão - apontados como milicianos pela Polícia Civil - como os políticos que foram apoiados por chefes de milícias e fizeram campanhas em favelas controladas pelos grupos paramilitares nas eleições de 2006."A ação da milícia em Jacarepaguá (Zona Oeste) é de conhecimento público e o inspetor Félix Tostes (chefe da milícia em Rio das Pedras na época e assassinado em 2007) era lotado no gabinete da Chefia da Polícia Civil. O vereador Nadinho disse que o candidato do Félix era o então secretário de Segurança Pública, Itagiba. São informações graves, que precisam ser debatidas, " disse o presidente da CPI das Milícias, deputado Marcelo Freixo (PSOL). Freixo afirmou ainda que o vereador e o bombeiro afirmaram que não houve enfrentamento às milícias durante a gestão de Itagiba na Segurança Pública e que os grupos "agiam tranqüilamente naquela área".O deputado Marcelo Itagiba informou, por meio de nota distribuída pela sua assessoria de imprensa, que está à disposição da CPI "para relatar as medidas de combate às milícias e ao tráfico de drogas por ele determinadas no período em que ocupou o cargo de secretário de Segurança Pública do RJ e oferecer o seu apoio à iniciativa da CPI de buscar o fortalecimento das ações contra as duas formas de organização criminosa." Já a deputada Marina Magessi entrou em contato com Freixo e marcou seu depoimento para terça-feira, às 10h. "Abri mão do meu foro privilegiado e irei depor em sessão aberta. Não tenho nada a esconder", declarou a parlamentar. Ela admite que esteve em Rio das Pedras uma vez, na ocasião do aniversário do inspetor assassinado de quem era amiga, mas nega ter feito campanha eleitoral na favela.DepoimentosHoje, o vereador Luiz André Fonseca da Silva, o Deco, e o sargento da Polícia Militar Luís Monteiro da Silva, o Doen, negaram envolvimento com a milícia, mas caíram em contradições várias vezes sobre as atividades econômicas e sociais que exercem em Jacarepaguá. Investigados pela Polícia Civil em inquéritos que apuram quatro homicídios e grilagem de terras, os dois são apontados como chefes da milícia na região da Praça Seca. Recentemente, eles brigaram e dividiram o domínio das favelas locais, segundo a polícia. O sexto dia de ocupação do Exército em favelas da Zona Oeste transcorreu sem incidentes. Amanhã a operação que visa garantir eleições limpas, ocupará as favelas da Rocinha e do Vidigal, em São Conrado, na Zona Sul do Rio.

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