Divulgação/Alesp
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CPI das fake news na Alesp pode investigar deputados bolsonaristas

Presidente da comissão, deputado Caio França (PSB) diz que vai consultar procurador da Casa sobre investigar 'gabinete do ódio' da Assembleia

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

01 de julho de 2020 | 14h51

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Fake News na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), que deve começar a trabalhar nesta sexta-feira, 3, pode avançar sobre denúncias contra deputados estaduais bolsonaristas e o "gabinete do ódio" que funciona na Casa. 

Após um acordo entre parlamentares governistas e da oposição, o deputado Caio França (PSB) foi eleito o presidente da  CPI. Nos bastidores,  PSOL, PSL e PT disputavam a presidência. Nesta sexta-feira, França deve apresentar o plano de trabalho e dar posse para os demais integrantes. 

Questionado sobre se a CPI vai abranger as denúncias contra deputados bolsonaristas e o gabinete do ódio, França disse que precisa consultar antes o procurador da Alesp. Toda CPI é acompanhada por um procurador concursado para dar o parecer técnico jurídico.

A comissão vai atuar no momento que deputados estaduais paulistas são investigados por ataques virtuais contra colegas e políticos adversários. 

O Ministério Público de São Paulo instaurou inquérito civil contra o deputado estadual Douglas Garcia (PSL) para investigar suposto "gabinete do ódio" na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). Garcia teria permitido que seu chefe de gabinete, Edson Pires Salomão, utilizasse o equipamento público da Alesp para atacar ministros do Supremo Tribunal Federal e adversário políticos, como a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP).

Nesta terça-feira, Garcia e Gil Diniz (PSL) foram suspensos por 12 meses pela Alesp, a pedido do partido. A sigla disse que a iniciativa foi motivada pelo envolvimento dos parlamentares na disseminação de fake news. 

"O procurador dá um norte sobre o escopo da CPI. Quero me cercar juridicamente para ver a competência. O pedido prevê a investigação de notícias falsas nas eleições de 2018, mas todos têm interesse em esclarecer os outros casos", disse Caio França ao Estadão. O deputado, que é filho do ex-governador Márcio França (PSB), disse não se opor que a CPI investigue o vereador do PSB Camilo Cristofaro, que divulgou um vídeo no qual o  governador João Doria estaria em situação constrangedora.

O inquérito que investiga suposta prática de atos de improbidade administrativa se deu após representação encaminhada pelo deputado federal Júnior Bozzella (PSL-SP). Segundo o inquérito, consta na representação que Salomão gravou vídeos e realizou diversas postagens no interior do gabinete do deputado com recursos públicos e durante o horário de expediente. 

A CPI das Fake News foi protocolada em 2018 em pelo deputado Mauro Bragatto (PSDB) com o objetivo de investigar o uso de notícias falsas nas eleições de 2018. Na ocasião, deputados de oposição disseram que iniciativa era uma estratégia para obstruir a fila de CPIs (só cinco podem funcionar ao mesmo tempo) e assim impedir investigações que possam prejudicar o Palácio dos Bandeirantes. 

O tema, porém, ganhou relevância com as denúncias contra deputados da Casa e a CPI em âmbito federal que atinge aliados do presidente Jair Bolsonaro.

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