CPI da Terra vira exemplo de como se obstrui uma apuração

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Terra realizou hoje sua primeira reunião no Congresso e se transformou num exemplo de como a ação política do governo pode esfriar os trabalhos de comissões de teor considerado explosivo. Pedida pelos partidos de oposição em julho de 2003, depois de uma sequência de invasões feitas por Movimentos de Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).Além da demora, o roteiro de trabalho anunciado prevê ainda uma longa série de audiências públicas com autoridades do governo pouco envolvidas com as atividades dos movimentos de trabalhadores sem-terra. Ligados historicamente ao MST, os governistas operaram justamente nos últimos meses para diluir o impacto político que uma investigação sobre esses grupos poderia provocar sobre a imagem do Planalto.A oposição, segundo o deputado ruralista Abelardo Lupion (PFL-PR), apresentará uma contraproposta sobre quem deve ser ouvido pela CPI, na reunião marcada para a próxima quinta-feira. O objetivo oficial da CPI é fazer um diagnóstico dos problemas fundiários do País e sobre a atuação do movimento dos sem-terra. Para o presidente da comissão, senador Álvaro Dias (PSDB-PR), a intenção da investigação é impedir que a desordem no campo comprometa a produtividade da agricultura. ?Lamentavelmente, persiste a desordem no campo, com invasões de terra, violência e desrespeito às ordem judiciais de desocupação?, afirmou Dias. Segundo ele, isso compromete a eficiência do processo produtivo e ameaça novos investimentos no setor.

Agencia Estado,

04 de março de 2004 | 18h10

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