CPI da Segurança do RS começa a ouvir depoimentos

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada pela Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul para investigar a política de Segurança Pública do governo gaúcho vai ouvir hoje os primeiros depoimentos. Entre os 12 motivos que justificaram a criação da CPI, os deputados escolheram iniciar as investigações pelo suposto sucateamento do Instituto Geral de Perícias (IGP). Os presidentes de três sindicatos de servidores da área pericial foram convocados para expor as condições em que os profissionais estão trabalhando atualmente.O relator da CPI, deputado Vieira da Cunha (PDT), visitou, na semana passada, o Instituto de Identificação, o Departamento Médico Legal (DML) e o Departamento de Criminalística. Neste último, o parlamentar encontrou um estoque de 5 mil armas aguardando laudo pericial - situação atribuída à escassez de peritos em balística (10 ao todo no departamento). Para contornar a carência de servidores, o governo já pediu a contratação emergencial de 190 funcionários à Assembléia.As deficiências na área pericial, conforme o relator, também estão influindo em um outro ponto das investigações: a desproporção entre o número de ocorrências e inquéritos policiais. "Os delegados que visitei confirmaram que o grande gargalo é o setor pericial. Eles são obrigados a atuar seletivamente porque a polícia técnica não está preparada nem para fazer um exame datiloscópico", afirmou Vieira da Cunha.A inexistência de um sistema de identificação moderno, conforme o parlamentar, impede atualmente que a polícia descubra um criminoso pelas impressões digitais. A verificação das mesmas só pode ocorrer quando a polícia suspeita de alguém. "A nossa perícia técnica está na idade da pedra", diz o deputado.

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