CPI da Petrobrás é adiada outra vez

Em meio à crise, alguns senadores falam até em instalar várias comissões de inquérito para tirar foco de Sarney

João Domingos, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

01 de julho de 2009 | 00h00

A confusão que tomou conta do Senado por causa da retirada de apoio ao presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), por parte de PSDB, DEM e PDT, resultou em mais um adiamento da instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar a Petrobrás. O requerimento de instalação dessa CPI foi protocolado na Mesa Diretora do Senado há 47 dias. Desde então, os partidos de oposição tentam instalá-la e os governistas impedem, com as mais variadas manobras. Com a crise na Casa agravada desde o dia 10, quando o Estado revelou a existência de atos secretos que beneficiaram parentes e apaniguados de senadores e diretores, a CPI está em segundo plano. Por enquanto, os senadores estão mais preocupados em salvar a própria imagem, com discursos seguidos em que acusam dois ex-diretores - Agaciel Maia e João Carlos Zoghbi - até de "ladrões" e pedem o afastamento de Sarney, mesmo que temporário.Na procura de algo que possa tirar o Senado da crise, o vice-líder do governo, Gim Argello (PTB-DF), e o senador Geraldo Mesquita (PMDB-AC), um antipetista histórico, tiveram ontem uma ideia. Procuraram o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), com uma proposta inusitada de instalar não só a CPI da Petrobrás e a do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), mas também criar mais umas duas, sobre qualquer assunto. O objetivo é desviar a atenção do público e dos meios de comunicação e tirar o foco de Sarney.Renan, no entanto, rechaçou a proposta. Disse aos defensores da iniciativa que o maior aliado de Sarney hoje no Senado é o governo.Então, provocar o governo com mais uma crise política para quê? "Não haverá nem CPI da Petrobrás nem CPI do DNIT", disse Renan. "Se as investigações pelos caminhos normais, como Tribunal de Contas (TCU), Polícia Federal e Ministério Público já caminham a contento, para que arrumar uma crise política com CPIs?"Os próprios partidos de oposição admitiam ontem o novo adiamento de instalação das CPIs. Eles procuraram os líderes da base aliada para tentar fechar um acordo que possibilite enfim a abertura da CPI da Petrobrás, mas encontraram-nos reticentes. O líder do PT, Aloizio Mercadante (SP), por exemplo, recusa-se a fechar acordos neste momento, sob a alegação de que partidos de oposição não respeitaram os que foram feitos anteriormente.Além do mais, segundo Mercadante, qualquer conversa sobre CPI da Petrobrás só poderá ser retomada depois que os partidos de oposição devolverem o cargo de relator da CPI das ONGs. O cargo era exercido pelo senador Inácio Arruda (PC do B-CE), que foi deslocado para a CPI da Petrobrás. O presidente da CPI das ONGs, Heráclito Fortes (DEM-PI), rapidamente nomeou para o lugar o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM).Como a oposição passou a ter o controle total da CPI, com presidente e relator, os governistas resolveram então paralisar todas as conversas. Arthur Virgílio, no momento, está mais preocupado em se defender do vazamento de informações a respeito de favores que teria recebido de Agaciel , como um empréstimo de US$ 10 mil numa viagem ao exterior. Segundo o líder tucano, trata-se de chantagem por parte do ex-diretor.

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