CPI da Petrobrás convoca Vaccari, mas blinda PMDB

Isolado, PT não consegue impedir depoimento de tesoureiro nem de presidente do BNDES, enquanto aliado evita ida de operador

DANIEL CARVALHO, DAIENE CARDOSO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

25 de março de 2015 | 02h09

Cada vez mais isolado na CPI da Petrobrás na Câmara, o PT viu na tarde de ontem a comissão aprovar três requerimentos de convocação de pessoas ligadas ao partido - inclusive seu tesoureiro, João Vaccari Neto. Por sua vez, o PMDB conseguiu blindar os três operadores apontados pela Operação Lava Jato que relacionam a legenda ao esquema de corrupção na estatal.

Dentre os 97 requerimentos aprovados, estão os de convocação de Vaccari, do presidente do BNDES, Luciano Coutinho, e de novo depoimento de Pedro Barusco, ex-gerente de Serviços da Petrobrás, já ouvido pela CPI. Foram solicitados depoimentos do presidente do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), Nilo Vieira; de Venina Velosa, ex-gerente executiva da Diretoria de Refino e Abastecimento da Petrobrás; e de Augusto Mendonça, executivo da Toyo Setal. As datas desses depoimentos ainda não foram marcadas.

Os deputados também concordaram em pedir a quebra dos sigilos telefônico, bancário e fiscal de Barusco e de seu antigo superior, o ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque, vinculado ao PT.

Amanhã, seria ouvido o representante da SBM Offshore no Brasil, Júlio Faerman, mas ele não foi encontrado pela comissão. Segundo Barusco, foi a Faerman que ele pediu os US$ 300 mil entregues a Vaccari para a campanha presidencial de Dilma Rousseff em 2010.

Para substituir o depoimento de Faerman, a CPI convocou às pressas a ex-presidente da Petrobrás Graça Foster, que já prestou depoimento a outras comissões do Congresso, inclusive à CPI mista aberta no ano passado. "Ficar ouvindo apenas ex-presidentes e ex-diretores da Petrobrás não fica uma imagem muito boa para a CPI", disse o deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), relator da comissão da Câmara.

Conforme o Estado divulgou na semana passada, partidos que integram a CPI fizeram acordo para não convocar políticos para prestar depoimento. Se os investigados quiserem, podem se apresentar espontaneamente. Até o momento, apenas o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), falou voluntariamente, em sessão na qual acabou elogiado pela quase unanimidade dos integrantes da comissão.

A derrota de ontem do PT só não foi maior porque seus representantes na comissão obstruíram a sessão com longos pronunciamentos, impedindo que acareações e a convocação da mulher de Renato Duque fossem votadas.

Luiz Sérgio, por exemplo, leu lentamente cada um dos quase 100 requerimentos votados ontem. Com o início da sessão no plenário da Câmara, a reunião da CPI teve de ser encerrada.

Blindado. Partido que comanda não só a CPI da Petrobrás, como também a Câmara e o Senado, o PMDB blindou os supostos operadores ligados à legenda. Não foram convocados o lobista Fernando Baiano, o policial Jayme Alves de Oliveira Filho, conhecido como Careca e apontado como "carregador de malas de dinheiro" do doleiro Alberto Youssef, e o executivo da Toyo Setal Júlio Camargo, um dos delatores que afirmam ter pago ao menos R$ 154 milhões em propina a pessoas tidas como operadores do PT e do PMDB dentro da Petrobrás.

Hugo Motta (PMDB-PB), presidente da CPI, nega que tenha protegido seu partido. "Não se blinda ninguém que você pauta. Estou pautando todos os requerimentos", afirmou.

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