Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

CPI agora não tem pressa em ouvir aliado de Lula

Depois de petista se queixar de convocação de Okamotto, presidente da comissão afirma que marcar depoimento imediatamente seria ‘retaliação’

Daiene Cardoso, O Estado de S. Paulo

15 de junho de 2015 | 16h59

Atualizado às 21h25

Brasília - O presidente da CPI da Petrobrás, deputado Hugo Motta (PMDB-PB), disse nesta segunda-feira, 15, que não vai agendar, por ora, o depoimento do diretor-presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, cuja convocação foi aprovada na quinta-feira. Segundo o peemedebista, será privilegiado neste momento a definição das acareações e das oitivas de outros convocados. “Não vou fazer isso (agendar a oitiva de Okamotto). Vai parecer retaliação”, alegou Motta.

A avaliação é a de que a aprovação do requerimento cumpriu o objetivo de enviar um recado ao PT. Isso feito, os integrantes da CPI acreditam que chamar Okamotto para depor imediatamente seria visto como algo excessivo. Ainda mais depois de emissários de seu partido e do PT terem transmitido a irritação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

Motta afirmou ter feito “o que era certo”. “Não podíamos ficar sem dar resposta”, disse, em referência à informação de que a construtora Camargo Corrêa doou R$ 3 milhões para o Instituto Lula e pagou R$ 1,5 milhão para a LILS Palestras Eventos e Publicidade, empresa do ex-presidente. O instituto afirmou que as doações e os pagamentos são regulares.

Por outro lado, Motta prevê que o acirramento da disputa entre os dois partidos que ocupam o Planalto terá reflexos na CPI. “A influência do desgaste entre PT e PMDB pode apimentar os debates na CPI, mas meu comportamento não vai influenciar em nada. Isso é briga política”, disse.

Desde o início dos trabalhos o PT está isolado na comissão, enquanto o PMDB faz dobradinha com a oposição para atingir o partido da presidente Dilma Rousseff. Insatisfeitos com a recente tentativa do ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, de minar o poder do vice-presidente e articulador político do governo, Michel Temer, os peemedebistas atropelaram os petistas e aprovaram uma nova rodada de requerimentos que comprometem o PT, mas livram os investigados ligados ao PMDB.

Fogueira. “A CPI já tem uma pauta complicada para o PT. O clima já está pesado lá, então isso (disputa entre os partidos) coloca mais lenha na fogueira”, afirmou Motta. “A disputa entre PT e PMDB repercute no Congresso de maneira mais ampla”, avaliou o vice-presidente da CPI, Antonio Imbassahy (PSDB-BA). 

Por ora, a agenda da CPI para a semana prevê oitivas de dois ex-executivos da Sete Brasil: o ex-presidente do Conselho Administrativo Newton Carneiro da Cunha e o ex-presidente da empresa João Carlos Ferraz. As acareações já aprovadas envolvem investigados presos em Curitiba ou em regime domiciliar, como os ex-diretores da Petrobrás Paulo Roberto Costa e Renato Duque e o doleiro Alberto Youssef.

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