CPI da Navalha não tem assinaturas suficientes

Mesa da Câmara confere lista e vê que tem um nome a menos que o necessário

Agencia Estado

15 de junho de 2007 | 02h40

Os autores do requerimento que defende a instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar fraudes em licitação a partir da Operação Navalha, desencadeada pela Polícia Federal, não conseguiram o número mínimo de assinaturas de deputados necessária para a criação da CPI. O pedido de CPI foi protocolado na quarta-feira. A secretaria geral da Mesa da Câmara conferiu as assinaturas e constatou que das 172 apresentadas, uma está ilegível e a do deputado Paulinho da Força (PDT-SP) não confere. Portanto, ficaram confirmadas 170 assinaturas, uma a menos do que o necessário. No caso de CPI mista, até a leitura e a publicação do requerimento poderá haver alteração do número com a inclusão ou retirada de apoios. O requerimento obteve 30 assinaturas de senadores, 3 a mais do que o mínimo exigido.A Mesa determinou a realização de uma nova checagem na lista de nomes.O Senado ordenou uma nova conferência das listas para evitar confusão, pois há, entre alguns parlamentares, a suspeita de que o número de assinaturas inválidas possa ser maior.Na semana passada, o congresso obteve as assinaturas necessárias para a criação da CPI que investigará as denúncias de irregularidades identificadas pela Operação Navalha, da Polícia Federal. Foram obtidas 173 assinaturas na Câmara, duas a mais que o mínimo necessário. Os deputados responsáveis pela coleta das assinaturas acusam o governo de manobrar para impedir a CPI e já prevêem uma operação da base governista para retirar alguns dos apoios e inviabilizar a investigação. "Padre Antônio Vieira diz que até numa sociedade de ladrões há um mínimo de ética", disse o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), referindo-se à possível retirada de assinaturas do requerimento.Operação NavalhaOperação Navalha da Polícia Federal prendeu no dia 17 de maio, 47 integrantes de uma quadrilha que fraudava licitações de obras do governo - incluindo projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Luz Para Todos.Entre os envolvidos na operação, estão figuras do cenário político nacional, como o ex-governador do Maranhão José Reinaldo Tavares, o atual, Jackson Lago, e dois de seus sobrinhos.Silas Rondeau, ex-ministro de Minas e Energia, pediu demissão do cargo após ser acusado de receber R$100 mil em propina da Gautama, construtora considerada pivô da operação. (Colaborou João Domingos)Texto atualizado às 15h40

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