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Gabriela Biló/Estadão
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CPI da Covid vota requerimentos e recebe médicos defensores do tratamento precoce nesta sexta

Também está prevista a realização de uma coletiva de imprensa para anunciar os nomes das testemunhas que passarão à condição de investigadas pela comissão

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2021 | 08h05

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid se reúne nesta sexta-feira, 18, em duas etapas, a partir das 9h. Na primeira parte da sessão, serão votados 14 requerimentos de quebra de sigilo, convocação e pedidos de informação. 

Na sequência, os senadores recebem os médicos infectologistas Ricardo Ariel Zimerman e Francisco Cardoso, que são defensores do chamado tratamento precoce, que não tem eficácia comprovada em relação à covid-19

Também está prevista a realização de uma coletiva de imprensa para anunciar os nomes das testemunhas que passarão à condição de investigadas pela CPI. A medida permitirá aprofundar as investigações, com a possibilidade de realizar quebras de sigilos e operações de busca e apreensão. 

Como mostrou o Estadão, ao menos cinco autoridades já estão incluídas na lista de nomes, que deve ser maior. O relator da CPI da Covid, senador Renan Calheiros (MDB-AL), já anunciou que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, está entre os investigados na comissão. Além dele, completam o grupo: o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello; o ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo; a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação no Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro; e o ex-secretário de Comunicação da Presidência Fábio Wajngarten.

Na primeira etapa da sessão, entre os pedidos a serem apreciados pelos senadores, estão duas solicitações de diligência para que o ex-governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel (PSC) seja ouvido em reunião reservada.

Os senadores Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP) são signatários dos pedidos de diligência para que o ex-governador seja ouvido reservadamente, já que Witzel afirmou ao colegiado, em depoimento na última quarta-feira, que teria “fatos gravíssimos” a revelar sobre a intervenção do governo federal no combate à pandemia, mas que apenas o faria aos membros da CPI a portas fechadas.

Também há requerimentos para a convocação do atual governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), e do secretário estadual de Saúde, Alexandre Chieppe.

Depoimentos. A segunda parte da sessão da CPI da Covid está reservada para os depoimentos dos dois infectologistas defensores do uso de cloroquina, medicamento sem comprovação de eficácia no tratamento contra a doença. O convite à dupla foi feito por parlamentares governistas.

Zimerman foi convidado a partir de requerimentos dos senadores Luis Carlos Heinze (PP-RS) e Marcos Rogério (DEM-RO). Já Cardoso teve convite solicitado pelos senadores Jorginho Mello (PL-SC), Ciro Nogueira (PP-PI) e Heinze. 

Zimerman é médico infectologista e ex-presidente da Associação Gaúcha de Profissionais em Controle de Infecção e Epidemiologia Hospitalar. Ele afirma em vídeo que medicamentos para o "tratamento precoce" da covid-19, como ivermectina e hidroxicloroquina, já têm eficácia comprovada.

Cardoso é especialista em Infectologia pelo Instituto Emílio Ribas e diretor-presidente da Associação Nacional dos Médicos Peritos da Previdência Social (ANMP). Como mostrou o Estadão, o médico é investigado pelo INSS e pelo Ministério da Economia por suspeita de irregularidades no recebimento de auxílio-doença entre 2019 e 2021.

Neste período, ele manteve intensa atividade de divulgação dos remédios sem eficácia comprovada contra a covid, inclusive com a participação em encontros com médicos suspeitos de integrarem o chamado gabinete paralelo, grupo crítico a vacinas e favorável ao tratamento precoce que estaria assessorando de maneira informal a gestão Bolsonaro na pandemia.

Ele é apontado como um dos coautores da nota informativa do Ministério da Saúde que dava orientações para o "tratamento precoce" da covid-19. 

 

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