Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

CPI da Covid inclui líder do governo Bolsonaro na Câmara, Ricardo Barros, na lista de investigados

Segundo o relator, a decisão se dá em razão de “óbvios indícios” da participação do parlamentar em 'rede criminosa que tentava vender vacinas'

Amanda Pupo e Cássia Miranda, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2021 | 11h27

BRASÍLIA - O líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), foi incluído formalmente no rol de investigados pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, informou nesta quarta-feira, 18, o relator da comissão, senador Renan Calheiros (MDB-AL). A medida ocorre menos de uma semana após o colegiado ouvir o parlamentar num depoimento conturbado, em que o líder do governo discutiu com integrantes da CPI. Segundo o relator, a decisão se dá em razão de “óbvios indícios” da participação de Barros em “rede criminosa que tentava vender vacinas” ao Ministério da Saúde.

“Nós estamos agregando o nome do Ricardo Barros ao nome dos já investigados em função dos óbvios indícios da sua participação na rede criminosa que tentava vender vacinas através dos atravessadores, comprometendo muitas vezes setores da sua própria família, e fazendo com que o país perdesse oportunidade de comprar vacina na hora certa”, disse o relator ao chegar ao Senado para mais uma sessão da CPI.

Segundo o senador Renan, o líder do governo passou de testemunha a investigado “pelo conjunto da obra, pelos indícios, pelo envolvimento, pela comprovação da participação dele em muitos momentos”. O senador afirmou que a comissão recolheu indícios envolvendo não apenas o caso Covaxin. Segundo ele, a CPI teria notícia de que “outras pessoas” negociaram imunizantes com Barros e foram encaminhados por ele ao ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias — outro que está na mira da comissão.

De acordo com depoimento prestado pelo deputado Luis Miranda (DEM-DF) à CPI em 25 de junho, ao relatar ao presidente Jair Bolsonaro pressões e suspeitas no processo aquisição da vacina Covaxin, ele teria ouvido do mandatário que se tratava de “rolo” de Ricardo Barros. Miranda levou a denúncia ao presidente após ser alertado por seu irmão, Luis Ricardo Miranda, diretor de importação do Ministério da Saúde. De acordo com o deputado, o presidente se comprometeu a acionar a Polícia Federal para apurar o caso. O líder do governo nega ter participado da negociação.

“É pelo conjunto da obra, pelos indícios, envolvimento, pela comprovação da participação dele em muitos momentos. Ele, a partir de hoje, é mais um investigado formal. (O envolvimento dele foi) No enfrentamento da pandemia, no caso Covaxin, e em outros casos. A CPI tem notícia de outras pessoas que negociaram vacinas com Ricardo e foram mandados para o Roberto Dias”, disse Calheiros, que citou ainda a Belcher Farmacêutica, que tem ligação com o deputado federal, que já foi ministro da Saúde.

O senador também afirmou que vai trabalhar para entregar seu relatório final na segunda quinzena de setembro. "Não sei se conseguiremos, mas vou, efetivamente, vou me dedicar a isso", disse o relator, lembrando que a CPI ainda precisa ouvir mais 12 pessoas, além obter mais informações a partir de requerimentos e quebras de sigilo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.