Edilson Rodrigues/Ag. Senado
Edilson Rodrigues/Ag. Senado

CPI da Covid avalia pedir prisão de dono da Precisa e avançar investigação sobre compra de vacinas

Comissão define roteiro para retomada dos trabalhos, dia 3; afastamento de servidores também estão na pauta

Daniel Weterman e Lauriberto Pompeu, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2021 | 17h49

BRASÍLIA – A CPI da Covid retoma os trabalhos no próximo dia 3 para avançar na investigação de um suposto esquema de corrupção na compra de vacinas pelo governo do presidente Jair Bolsonaro. Em reunião na noite de quarta-feira, 28, a cúpula da CPI definiu um roteiro que abrange depoimentos, pedido de prisão e afastamento de servidores do Ministério da Saúde.

O depoimento de Francisco Maximiano, dono da Precisa Medicamentos, estava inicialmente previsto para ocorrer antes do recesso parlamentar e foi adiado, após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que garantiu o direito de o empresário ficar em silêncio na CPI. A presença dele na semana que vem é incerta – o depoimento está marcado para quarta-feira, 4. A comissão recebeu a informação que ele viajou para a Índia e avalia pedir a prisão preventiva de Maximiano.

“Evadir-se do país quando tem uma investigação em curso é crime e nós não titubearemos em pedir a prisão preventiva”, afirmou o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), em áudio enviado à imprensa na manhã desta quinta-feira, 29.

A Precisa Medicamento chegou a assinar um contrato com o Ministério da Saúde para a compra da vacina indiana Covaxin, um dos principais focos de investigação. Os senadores apontam indícios de superfaturamento e corrupção na negociação. 

Randolfe anunciou ainda que a comissão vai votar um requerimento para bloquear os bens da Precisa Medicamentos e da Global Gestão em Saúde, sócia da companhia, no valor do contrato assinado com o Ministério da Saúde, ou seja, R$ 1,6 bilhão. O contrato foi suspenso após a CPI iniciar a investigação. A fabricante da Covaxin, Bharat Biotech, anunciou no último dia 23 a rescisão do acordo com a Precisa.

O grupo majoritário da CPI decidiu que vai solicitar o afastamento da médica Mayra Pinheiro da Secretaria de Gestão em Trabalho do Ministério da Saúde. O presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM), disse ao Estadão que há maioria para o requerimento ser aprovado na semana que vem.

A cúpula do colegiado avalia que Mayra obstruiu as investigações ao, antes de depor, ensaiar as respostas de perguntas com senadores governistas da comissão. O caso foi revelado pelo site Intercept.

“É muito grave uma testemunha ou investigada dizer que vai passar perguntas para os juízes. Os senadores ali na CPI são juízes”, declarou Omar. A decisão de pedir o afastamento de Mayra foi tomada durante reunião virtual com senadores na noite de quarta-feira, 29.

Conhecida como “Capitã Cloroquina”, a secretária ganhou notoriedade por defender o tratamento precoce com uso de substâncias com ineficácia comprovada contra o coronavírus, como a cloroquina e a ivermectina. 

Depoimentos

Na próxima terça-feira, 3, será ouvido o reverendo Amilton Gomes de Paula, fundador da associação Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários (Senah). Ele é apontado por ter intermediado informalmente a negociação de vacinas sem garantia de entregas. Na quinta-feira, 5, a CPI quer ouvir Túlio Silveira, advogado da Precisa. Após ter o prazo prorrogado, a CPI deve conduzir a apuração até o dia 5 de novembro.

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