CPI da Copa é protocolada com apoio de 192 deputados e 28 senadores

Pedido de abertura foi feito na tarde desta quarta, véspera do 'recesso branco' do Congresso; para ser criada, são necessários apoios de pelo menos 171 de deputados e 27 de senadores

Ricardo Brito , O Estado de S. Paulo

17 de julho de 2013 | 18h56

Na véspera do início do recesso branco, em um dia sem votações em plenário na Câmara e no Senado, o deputado Izalci Lucas Ferreira (PSDB-DF) apresentou à Secretaria-Geral da Mesa do Congresso Nacional um pedido de abertura de uma comissão parlamentar de inquérito, composta por deputados e senadores, para investigar irregularidades no uso de recursos públicos federais nas obras para a Copa do Mundo de 2014. O pedido foi protocolado às 17h10 desta quarta-feira, 17, com o apoio de 192 deputados e 28 senadores.

O governo Dilma Rousseff terá mais de um mês para convencer os parlamentares da base aliada a desistirem de apoiar a criação da CPI mista. Pelo rito regimental, o pedido de comissão de inquérito terá de ser lido na próxima sessão do Congresso, marcada para o dia 20 de agosto. Para ser criada, são necessários os apoios de pelo menos 171 de deputados e 27 de senadores. Portanto, o Palácio do Planalto terá demover dois senadores ou 22 deputados no mínimo até a noite da leitura do requerimento.

Parlamentares de partidos da base aliada, como PP, PR, PMDB, subscreveram o pedido. O líder do PR da Câmara, o ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho, foi um dos apoiadores.

Izalci, contudo, acredita que a pressão das redes sociais ajudará a fazer com que os aliados mantenham o apoio à investigação parlamentar. "Essa CPI faz parte da pauta das manifestações", disse o deputado. Para o vice-líder tucano do Senado, Alvaro Dias (PSDB-PR), a eventual abertura da CPI será um teste de fidelidade da base aliada em relação ao governo, ainda mais em um momento de queda da popularidade de Dilma Rousseff.

O requerimento de criação da CPI, de dez páginas, argumenta que o governo é falacioso e distorce os fatos, em relação ao que a presidente disse, em cadeia nacional no final de junho, de que não há recursos do orçamento da União. O pedido lista uma série de fatos considerados pelo parlamentar como supostamente irregulares, a exemplo do superfaturamento de obras em diversos estádios. "A situação é de tal ordem que exige solução imediata, sob pena de rápido e expressivo agravamento dos prejuízos à nação", diz o requerimento.

O líder do PT no Senado, Wellington Dias (PI), criticou o pedido de criação da CPI e avisou que o governo vai trabalhar para derrubá-lo antes da sua instalação. "Existem fatos, provas, indícios que justifiquem o investimento do parlamento? A avaliação do PT é que não foram apresentados fatos concretos, foram com base em matérias de jornal e, sobre os pontos levantados, já vieram membros do governo aqui. Engraçado é que nesses dias quase não tinha representantes da oposição. Não podemos fazer uma CPI apenas como instrumento político, precisa tem fundamento", defendeu.

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