CPI convida vice de Yeda para depor esta semana

Convocação havia sido rejeitada; comissão também aprovou comparecimento de João Luiz Vargas, do TCE

Elder Ogliari, O Estadao de S.Paulo

17 de junho de 2008 | 00h00

O vice-governador gaúcho, Paulo Afonso Feijó (DEM), e o presidente do Tribunal de Contas do Estado, João Luiz Vargas, serão convidados a depor na CPI do Detran, sem a obrigação de comparecer. "Vou comunicar a eles que há dois horários disponíveis, na quarta-feira e na quinta-feira à noite", anunciou o presidente da comissão na Assembléia, Fabiano Pereira (PT).A decisão de Pereira foi tomada depois de votação que rejeitou a convocação dos dois, sob a alegação de que têm foro privilegiado, mas não pôs objeções ao comparecimento espontâneo.Feijó, que deflagrou uma crise política no Rio Grande do Sul ao exibir gravação em que o ex-chefe da Casa Civil Cézar Busatto dizia que partidos se financiam com órgãos públicos, indicou, por sua assessoria, que não vai aceitar o convite por não ter informações a acrescentar. Em 21 de maio, ele dissera que, como homem público, tinha o dever e a obrigação de ir à CPI.Vargas foi citado em conversas de pessoas acusadas no desvio de R$ 44 milhões do Detran entre 2003 e 2007 e tem um filho entre os 40 réus do processo aberto pela Justiça. Em maio chegou a dizer que iria depor, mas não se pronunciou mais.A oposição conseguiu aprovar a convocação do chefe de representação do governo gaúcho em Brasília, Marcelo Cavalcante. No depoimento, ele deve esclarecer por que engavetou carta em que o empresário Lair Ferst falava do esquema Detran e se dizia pressionado por pessoas corruptas. Em entrevistas, Cavalcante, que deixou o cargo dia 7, disse que não encaminhou o caso para a governadora Yeda Crusius porque Ferst não apresentou provas.Num dos depoimentos mais aguardados da CPI, o ex-secretário-geral de Governo Delson Martini, negou ter marcado audiências e recebido ou orientado participantes da fraude contra o Detran. Demitido dia 7, depois de ser citado numa conversa entre o ex-diretor da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) Antônio Dorneu Maciel e o ex-presidente do Detran Flávio Vaz Neto, ambos réus do processo na Justiça, Martini reafirmou que não pode ser responsabilizado por referências indevidas feitas por terceiros.No diálogo, gravado pela Polícia Federal, Maciel orientava Vaz a tentar abordar a governadora para saber se Martini poderia dar orientação sobre um impasse no Detran. À época, segundo a investigação, Ferst estava afastado do esquema e pressionava por compensações.Martini afirmou que não recebeu Maciel e Vaz nem teria como tratar com eles do Detran porque, à época da gravação, presidia a CEEE. Também confirmou que conhece Ferst de atividades do PSDB, mas negou ter conversado com ele sobre o Detran.A principal revelação da sessão, porém, foi feita pelos deputados da oposição, que exibiram material do Ministério Público Federal indicando que Martini chegou a ser investigado na mesma operação da PF e teve seu sigilo fiscal e telefônico quebrado até que, em fevereiro, deixou a CEEE para assumir a secretaria, com o que passou a ter foro privilegiado.O ex-secretário, que chegou afirmando que os órgãos federais não ligaram seu nome a nenhuma irregularidade, mostrou-se surpreso com a informação. "Isso só reafirma que os indícios não foram suficientes para me chamarem", ressaltou.

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