CPI contra Yeda será instalada hoje

A Assembleia gaúcha instala hoje a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar supostas irregularidades no governo Yeda Crusius. A perspectiva, já na abertura dos trabalhos, é de embate entre as bancadas do governo e da oposição. Nas funções de presidente e relator, as duas partes reivindicam a prerrogativa de elaborar o roteiro de funcionamento da CPI, que terá 120 dias para investigar suspeitas listadas pelas Operações Rodin e Solidária, da Polícia Federal. A primeira investigou fraude com prejuízo estimado em R$ 44 milhões no Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e a segunda apurou denúncias de favorecimento em licitações."O relator faz o relatório, quem faz o plano de trabalho é o presidente", argumentou a deputada Stela Farias (PT), que ficará na presidência da CPI. "O relator tem de apresentar o planejamento", contrapôs o deputado governista Adilson Troca (PSDB), que sustenta sua posição em parecer do aliado Luiz Fernando Zachia (PMDB) à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O futuro relator da CPI, Coffy Rodrigues (PSDB), disse que defendia um deputado mais experiente na função, mas passou a reivindicar o cargo depois de ser criticado pela oposição. "Quem me fez relator foi a oposição", afirmou, prometendo apresentar seu plano de trabalho e chamar para depor pessoas que não foram denunciadas nas investigações anteriores da PF. Coffy argumentou que os depoimentos de quem já responde a processo seriam desnecessários, pois não poderiam ser acusados novamente pelos mesmos fatos. No plano de trabalho de Stela constam várias pessoas nessa situação. Ela incluiu o chefe de gabinete de Yeda, Ricardo Lied, ex-presidentes do Detran e o ex-secretário-geral de Governo Delson Martini.Além do plano de trabalho, o próprio funcionamento da CPI gera divergências. Aliados do governo e oposição concordam que é possível limitar o tempo que os deputados terão para interrogar depoentes, mas o governo considera que uma sessão semanal é suficiente. Stela avalia que o volume de informações requer ao menos duas sessões por semana. A primeira reunião da comissão será na segunda-feira. A CPI será instalada na sequência de duas investigações da Polícia Federal - além de 14 inquéritos derivados da Operação Solidária -, uma ação por improbidade administrativa do Ministério Público Federal contra a governadora e mais 8 pessoas, bem como uma ação penal contra 33 acusados de participação na fraude do Detran. A Operação Rodin já havia motivado, no ano passado, a CPI do Detran.

Sandra Hahn, PORTO ALEGRE, O Estadao de S.Paulo

26 de agosto de 2009 | 00h00

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