CPI começa a ouvir ex-ministros da Saúde nesta terça

Passadas as eleições, três ex-ministros da Saúde - Barjas Negri (PSDB), Humberto Costa (PT) e Saraiva Felipe (PMDB) - confirmaram suas presenças nesta terça e quarta-feira na CPI dos Sanguessugas para dar depoimentos. O governador eleito de São Paulo, José Serra (PSDB), é o único dos quatro ex-ministros convidados pela comissão que não vai comparecer.Serra está em Washington (EUA) para renegociar empréstimos para a construção do Metrô de São Paulo. A previsão é que o governador eleito retorne ao Brasil só na semana que vem, no dia 15.´Não tem motivo para ele ir à CPI. Ele não tem nada a acrescentar´, justificou o líder do PSDB na Câmara, Jutahy Magalhães Júnior (BA). ´Serra pode até ir à CPI. Mas só depois que o Mercadante e o Lula comparecerem´, afirmou. ´O Mercadante porque teve um assessor seu envolvido diretamente na história do dossiê contra os tucanos. O presidente Lula porque tem muitos amigos envolvidos nessa história´, completou Jutahy. O assessor a que ele se referiu é Hamilton Lacerda, que foi coordenador de Comunicação da campanha do senador Aloizio Mercadante (PT) ao governo de São Paulo.A Polícia Federal acredita que Lacerda teria levado para os petistas Gedimar Passos e Valdebran Padilha o R$ 1,75 milhão destinado a comprar o dossiê Vedoin, que teria documentos comprometendo políticos tucanos com o esquema de venda de ambulâncias superfaturadas a prefeituras com recursos de emendas parlamentares ao Orçamento da União. Gedimar e Valdebran foram presos com o dinheiro no Hotel Ibis Congonhas em 15 de setembro. No dia anterior, Lacerda foi flagrado pelas câmeras do hotel com uma mala. Ele garante, porém, que não levava dinheiro nessa mala e sim um laptop e material de campanha.Atualmente prefeito de Piracicaba, Barjas Negri foi sucessor de Serra no Ministério da Saúde, ainda no governo Fernando Henrique Cardoso. No auge da campanha eleitoral, Lula chegou a citar Barjas como envolvido com o esquema durante um debate com o candidato derrotado à Presidência Geraldo Alckmin (PSDB).O prefeito tucano confirmou seu depoimento à CPI para esta terça-feira à tarde. Sua decisão contrariou alguns correligionários, para quem ele não deveria comparecer à comissão.Humberto Costa, que foi derrotado na disputa pelo governo de Pernambuco, se comprometeu a depor na manhã de quarta-feira. O deputado Saraiva Felipe (PMDB) vai falar também na quarta-feira, à tarde. Costa e Felipe foram ministros do governo Lula.EsquemaOs quatro ex-ministros foram convidados para ir à comissão e não são obrigados a comparecer. Com seu depoimento, a CPI pretende esclarecer as denúncias de envolvimento de funcionários do Ministério da Saúde com o esquema de superfaturamento das ambulâncias.O esquema teria começado em 1999, com o envolvimento de integrantes do Ministério da Saúde e de parlamentares, que receberiam propina em troca da apresentação de emendas ao Orçamento com recursos para as ambulâncias. Os veículo seriam vendidos pela Planam, de Luiz Antônio e Darci Vedoin, principal empresa da máfia dos sanguessugas.Pelo cronograma da CPI, os depoimentos de Gedimar Passos, Valdebran Padilha e Jorge Lorenzetti, outro acusado de envolvimento na tentativa de compra do dossiê Vedoin, ficaram para 21 de novembro.No dia seguinte, os integrantes da CPI pretendem ouvir os depoimentos de Oswaldo Bargas e Expedito Veloso, ex-integrantes do comitê de campanha do presidente Lula, que também estariam envolvidos na compra do dossiê.Vedoin na CâmaraO empresário Luiz Antônio Trevisan Vedoin depõe nesta terça-feira à tarde no Conselho de Ética da Câmara. Vedoin é tido pela Polícia Federal como o cabeça do esquema de fraude na venda de ambulâncias superfaturadas. Também está envolvido na montagem e tentativa de venda a petistas de um dossiê contra tucanos.O Conselho de Ética vai tomar o depoimento de Vedoin na condição de testemunha nos processos contra 67 deputados acusados de envolvimento no esquema de fraudes no Ministério da Saúde, principalmente em relação à venda de ambulâncias superfaturadas para prefeituras, pagas com dinheiro do Orçamento-Geral da União.Vedoin admitiu ter pago propina a parlamentares em troca da inclusão no Orçamento de emendas com verbas para a compra de ambulâncias. O esquema ficou conhecido como máfia dos sanguessugas - esse era o nome da operação da Polícia Federal que prendeu 47 pessoas em maio e desencadeou as investigações no Congresso.O presidente do Conselho de Ética, deputado Ricardo Izar (PTB-SP), decidiu que todos os parlamentares acusados por Vedoin de se beneficiarem da máfia poderão fazer-lhe perguntas. O depoimento será na própria Câmara, o que não agrada ao presidente da Casa, Aldo Rebelo (PC do B-SP), por causa da possibilidade de tumultos.DefesaO Conselho de Ética ouvirá esta semana três deputados acusados de envolvimento no caso. Na quarta-feira, terão oportunidade de se defender João Correia (PMDB-AC) e Amauri Gasques (PL-SP); na quinta-feira, será a vez de Benedito Dias (PP-AP).

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