CPI aprova convocação de Dantas e De Sanctis

Deputados querem esclarecer pontos da investigação com banqueiro e juiz

Ana Paula Scinocca, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

27 de março de 2009 | 00h00

A CPI dos Grampos aprovou ontem a convocação para que o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, e o juiz Fausto de Sanctis, da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo, prestem depoimentos à comissão. Os deputados querem explicações do juiz sobre a sua decisão de negar à CPI o compartilhamento de dados da Operação Satiagraha. De Sanctis foi o responsável por pedir, por duas vezes, a prisão do banqueiro Daniel Dantas. Ele também aparece como responsável por ter decretado as prisões da Operação Castelo de Areia, que levou para a cadeia diretores da Camargo Corrêa anteontem. Já em relação a Dantas, a CPI pretende questioná-lo sobre sua participação em escutas telefônicas. Na semana passada, integrantes da CPI chegaram a ir a São Paulo para pedir, pessoalmente, que Sanctis liberasse os dados para que a comissão pudesse dar continuidade a seu trabalho no Congresso. O juiz, um dia depois, respondeu, por meio de ofício, recusando-se a compartilhar o material. A decisão do magistrado irritou os parlamentares, que agora preparam recurso judicial contra De Sanctis. Tanto De Sanctis quanto Dantas já prestaram depoimento à CPI no ano passado. DEPOIMENTO Na manhã de ontem, quem prestou depoimento na CPI foi o sargento da Aeronáutica Idalberto Matias de Araújo. Ele negou participação na Satiagraha e repetiu versão apresentada anteriormente à CPI. Segundo disse aos deputados, Araújo relatou que apenas indicou o ex-agente do Serviço Nacional de Inteligência (SNI), Francisco Ambrósio, ao delegado Protógenes Queiroz. "Protógenes é um amigo e, quando ele pediu esse favor, que não envolve a instituição Força Aérea, ele me pediu um agente aposentado e não havia motivo para comunicar a minha chefia que estava fazendo um favor a um amigo. O Ambrósio é meu amigo", declarou Araújo em seu depoimento. CONTRADIÇÃO O deputado Raul Jungmann (PPS-PE) considerou "contraditória" a versão de Araújo, uma vez que Protógenes teria afirmado, em depoimento ao Ministério Público, que o sargento participou da operação. Depois, conforme noticiou o Estado, o próprio Protógenes voltou ao Ministério Público Federal para "corrigir" a informação e ressaltar que Araújo apenas apresentou Ambrósio a ele. Jungmann defendeu a aprovação de um requerimento para a realização de acareação de Idalberto Matias de Araújo com o delegado Protógenes, uma vez que os dois apresentaram versões distintas à comissão. A exemplo do ex-funcionário da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Jairo Martins de Souza, que na véspera prestou depoimento, Araújo também disse à Comissão Parlamentar de Inquérito que foi usado como "bode expiatório" pela Abin. De acordo com a versão do sargento da Aeronáutica, a CPI deveria investigar, de fato, o envolvimento da agência na Operação Satiagraha. FRASEIdalberto AraújoSargento da Aeronáutica"Protógenes é um amigo e, quando pediu esse favor, que não envolve a Força Aérea, não havia motivo para comunicar a minha chefia. O Ambrósio é meu amigo"

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