CPI aponta Maluf e Pitta como responsáveis pela evolução da dívida

O relatório final da CPI da Dívida Pública de São Paulo aponta os ex-prefeitos Paulo Salim Maluf (PPB) e Celso Pitta (PTN) como os principais responsáveis pela evolução da dívida, devido a emissão de títulos públicos municipais e, conseqüentemente, os juros do governo federal. O relatório foi aprovado por 5 votos favoráveis e dois contrários.Hoje, a dívida real do município atinge R$ 21 bilhões mas, devido a ações judiciais contra a Prefeitura em gestões passadas, esse montante pode ultrapassar R$ 30 bilhões. Além disso, a CPI pede a renegociação da federalização de parte da dívida (cerca de R$ 13 bilhões) que foi assinada por Pitta em junho de 2000. Para os membros da comissão, há indícios de crimes de corrupção, formação de quadrilha e improbidade administrativa que devem ser investigados. Edivaldo Estima (PPB) votou contra e o vereador Marcos Zerbini (PSDB) fez um voto em separado por não acreditar que os juros do governo federal sejam os responsáveis pelo aumento da dívida. "Eu acho que eles (juros) até contribuíram, mas não foram os maiores responsáveis", disse Zerbini.O relatório será enviado nesta terça-feira para 14 órgãos, entre eles o Ministério Público Federal e Estadual, Coaf, Procuradoria Geral de Justiça e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). "Maluf e Pitta são os principais responsáveis pela dívida porque quando eles optaram pela emissão de Letras Financeiras do Tesouro Municipal sabiam dos juros", disse a vereadora Ana Martins (PC do B).Na gestão Maluf, a dívida da cidade aumentou 114% e, na de Pitta 92%. Além dos dois, o relatório também aponta o ex-coordenador da dívida, Wagner Batista Ramos como um dos responsáveis.O relatório também propõe a criação de mais quatro CPIs para investigar Maluf. A primeira seria sobre as supostas contas que Maluf e seus familiares teriam no exterior, depois uma investigação das grandes obras públicas, dos transportes e do Iprem (Instituto de Previdência do Município).De acordo com o ex-secretário de comunicação da gestão Pitta, o relatório não é válido porque foi utilizado como "palco político" para o PT. "Eles querem bater no Maluf e pegam o Pitta. As conclusões do relatório são pré-concebidas e não tem valor nenhum".

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