CPI adia para 3ª decisão sobre acareação por falta de quórum

Ausência de parlamentares também faz comissão dar por encerrado depoimento de ex-servidor da Casa Civil

da Redação,

21 de maio de 2008 | 09h54

A CPI  dos Cartões Corporativos adiou para a próxima terça-feira, às 9h30, a votação do requerimento para acareação do ex-funcionário da Casa Civil José Aparecido Nunes com André Fernandes, assessor do senador tucano Álvaro Dias (PR). A presidente da comissão, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), alegou falta de quórum, suspendeu a reunião e dispensou os dois suspeitos de envolvimento no vazamento de informações sobre os gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O depoimento de Aparecido, que continuaria a falar nesta manhã, também foi dado por encerrado. Os parlamentares inscritos para fazer perguntas faltaram à reunião e o ex-servidor só voltará a depor caso a acareação seja aprovada pela comissão.   Veja também: CPI decide hoje acareação entre suspeitos do dossiê Ouça explicações de Aparecido sobre o dossiê  Ouça assessor tucano confirmando 'amizade quente' com Aparecido  Ouça versão de assessor tucano sobre troca de e-mails  Veja o dossiê com dados do ex-presidente FHC  Entenda a crise dos cartões corporativos  Teste seus conhecimentos: quem diz o que sobre o dossiê    Em entrevista à rádio CBN nesta quarta pouco antes do início da reunião, Marisa considera ser "mentira" a versão do ex-funcionário da Casa Civil, segundo a qual a planilha com os gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso teria sido enviada a Fernandes por "engano". "Não dá para engolir", disse Marisa, afirmando que outros parlamentos compartilham a mesma impressão que ela. Sobre o requerimento de acareação, Marisa disse o pedido só deve ser aprovado com o apoio da base aliada, que resiste à idéia e tem maioria na CPI.   Ainda em seu depoimento na última terça, Aparecido negou que teria repassado qualquer informação sobre os dados de FHC à imprensa e disse que nunca falou sobre esse assunto com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. "Não tive nenhuma participação neste banco de dados. Não digitei nenhum caracter nestas tais planilhas. Nunca, nunca mesmo, conversei sobre isso com a ministra Dilma", afirmou. Em outro momento do depoimento, ele voltou a isentar a ministra de participação na elaboração do documento, assim como Erenice Guerra, braço direito de Dilma.   Fernandes e Aparecido entraram em contradição em diversos pontos do depoimento. O ex-funcionário disse que sua secretária foi indicada pelo assessor do senador tucano. Pouco antes, Fernandes negou a indicação. Parlamentares da CPI acusaram o assessor de falso testemunho. O depoimento de Aparecido e de Fernandes divergem em outra versão. O assessor tucano negou que tenha pedido ao ex-servidor da Casa Civil para trabalhar no governo, mas Aparecido confirmou o pedido.   Aparecido declarou que no início do primeiro governo do PT, Fernandes lhe enviou currículo pleiteando o cargo de secretário-executivo adjunto do Ministério do Planejamento. Em seu depoimento, Fernandes disse que tinha apenas indicado Nélio Lacerda (amigo comum e e funcionário do governo do Distrito Federal) para trabalhar na Casa Civil e confirmou, embora tenha ressalvado não ter sido indicação sua, que uma prima de terceiro grau trabalha na Casa Civil. Aparecido declarou que Fernandes pediu pela prima.    

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