Cozinheira liga petistas a chefe do crime

A cozinheira Zildete Reis disse à CPI dos Bingos que presenciou visitas dos ex-ministros José Dirceu (Casa Civil) e Antonio Palocci (Fazenda) e do presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, ao ex-policial João Arcanjo Ribeiro, conhecido como Comendador Arcanjo, chefe do crime organizado em Mato Grosso e preso em Cuiabá. Ela disse que viu cada um deles sair com malas de dinheiro da casa do ex-policial, para quem Zildete trabalhou.Os governistas da CPI tentaram desqualificar o depoimento de Zildete, que em alguns momentos se mostrou confusa. "A que ponto chegamos, usar esta senhora para isso!", protestou o senador petista Tião Viana (AC), acrescentando: "Assim, a oposição não vai chegar ao poder nunca."O líder da minoria no Senado, senador Álvaro Dias (PSDB-PR), afirmou que "é grave" a acusação da cozinheira. "Não tenho motivo para não acreditar na senhora Zildete nem razão para não permitir que os acusados se defendam." Álvaro Dias disse que na próxima terça-feira vai apresentar à CPI um requerimento para acareação de Zildete com Dirceu, Palocci e Okamotto.A cozinheira disse também ter ouvido uma conversa em que o empresário José Gomes da Silva, o Sombra, falava a Comendador Arcanjo da intenção de matar o prefeito de Santo André (SP) Celso Daniel (PT) e pedia a indicação de um pistoleiro. Os governistas da CPI reagiram logo no início, quando a cozinheira não reconheceu Sombra em uma foto apresentada pelo relator da comissão, senador Garibaldi Alves (PMDB-RN). Mais tarde, Zildete disse que se confundira, porque, na época das supostas visitas do empresário a Arcanjo, este "usava um cavanhaque".Carta na mangaEla se confundiu em relação a algumas datas. Não soube informar com certeza, por exemplo, o ano das supostas visitas de Sombra ao ex-policial. Disse que acredita terem ocorrido em 2001. "Eu estou vendo que vocês não estão acreditando em mim, mas a verdade vai aparecer", afirmou a cozinheira.Zildete disse que era empregada de um bufê e era contratada por Arcanjo sempre que havia festas e recepções. A cozinheira disse que se aproximou de Arcanjo porque "queria vingança" pelo assassinato de seu irmão Acácio Marques dos Reis. Segundo ela, Arcanjo mandou matar Acácio, em 1994, quando descobriu que o empregado roubava bois da sua fazenda. "Eu queria ter uma carta na manga contra o senhor Arcanjo. Então, eu ouvia quando os bacanas iam à casa dele, e eu entrava na sala para servir bebidas e petiscos", contou a cozinheira. A cozinheira disse que Palocci era chamado de "irmão" por Arcanjo. Zildete disse que os petistas chegavam a Cuiabá em um avião particular enviado por Arcanjo, e empregados do ex-policial iam buscá-los no aeroporto.

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