ALEX SILVA/ESTADAO
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Covas tem câncer no estômago com metástase no fígado e terá que fazer quimioterapia

Após o diagnóstico, equipe médica decide pelo início imediato do tratamento; prefeito afirma que permanece no cargo e vai despachar do hospital

Bruno Ribeiro e Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2019 | 14h00
Atualizado 11 de novembro de 2019 | 16h26

O prefeito Bruno Covas (PSDB) teve o diagnóstico de um câncer no estômago confirmado nesta segunda-feira, 28, e terá que passar por quimioterapia imediata. O tumor sofreu metástase (se espalhou) para o fígado e para linfonodos da região abdominal. Covas, de 39 anos, não pedirá licença para fazer o tratamento. 

O prefeito irá despachar a partir do Hospital Sírio-Libanês, com concordância da equipe médica. Ele possui um tablet configurado para validar a assinatura eletrônica de documentos. As visitas, entretanto, estão restritas a pessoas autorizadas por ele e seus familiares.

“Nosso conselho é que ele não se desgaste politicamente recebendo todos”, disse o cirurgião Raul Cutait, um dos profissionais encarregados do tratamento.

O prefeito é pré-candidato de seu partido à reeleição, no ano que vem, e não deve deixar o centro médico ao menos até o fim desta semana. Diante do avanço da doença para outros órgãos, a equipe médica informou que a quimioterapia seria iniciada imediatamente.

Os secretários municipais têm marcada uma reunião terça-feira, 28, às 8 horas, que terá a participação do prefeito à distância, em que ele deve orientar a equipe a manter a agenda de compromissos, incluindo inaugurações. Segundo o secretário de Justiça, Rubens Rizek, a avaliação foi que o prefeito conseguiria manter contato com a equipe pelo celular e por mensagens. “Ele está no celular o tempo todo.”

Pelo Instagram, Covas disse não ter dúvidas de que vai “vencer o desafio” e agradeceu mensagens de apoio. “Ajuda muito a atravessar a tempestade”, escreveu. O Instagram é uma rede social que Covas administra pessoalmente, diferentemente do Twitter e do Facebook, que são gerenciados por sua equipe de comunicação.

Se quiser, ele pode se licenciar temporariamente e o cargo passaria a ser ocupado pelo presidente da Câmara municipal, Eduardo Tuma (PSDB). Se o posto ficar vago, um novo prefeito é eleito indiretamente pelos 55 vereadores até o fim do mandato. 

A equipe médica coordenada pelo infectologista e ex-secretário estadual da Saúde David Uip informou ontem que o câncer teve início na cárdia, espécie de válvula que faz a ligação entre o esôfago e o estômago. Entre suas funções está a de impedir que o alimento volte depois de chegar ao estômago. 

Segundo o oncologista Tulio Pfiffer, que também integra a equipe, serão realizadas inicialmente três sessões de quimioterapia, com intervalo de 20 dias entre elas. “Exames complementares estão sendo feitos, mas os resultados demoram de duas a três semanas. A partir deles, poderemos refinar o tratamento, se necessário”, afirmou.

A equipe não descarta a necessidade de cirurgia, mas como já há focos de tumor em outros órgãos, a quimioterapia é o tratamento mais indicado, afirmou Renata D’Alpino, coordenadora dos tumores gastrointestinais e neuroendócrinos do Centro Especializado em Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

“Se a doença já está na corrente sanguínea, mesmo que a cirurgia seja factível, ela não faz sentido porque não atacaria todos os focos. A quimioterapia é a melhor conduta para casos como esses”, disse.

Segundo Uip, apesar da metástase e da gravidade do caso, o tumor foi descoberto precocemente e o fato de o prefeito ser jovem e saudável aumentam as chances de sucesso do tratamento. “Ele está disposto e muito animado”, disse. A doença, porém, foi considerada “traiçoeira” pelos médicos por não ter se manifestado por meio de nenhum sintoma prévio. 

Covas foi internado inicialmente para tratar de um erisipela, uma inflamação de pele causada por bactérias. No hospital, os médicos descobriram que havia uma trombose na perna. Essa trombose, por sua vez, migrou para o pulmão. Os médicos então decidiram continuar a investigação clínica e, em um exame pet scan, descobriram tumores no trato digestivo.

Segundo Pfiffer, o tumor de Covas (adenocarcinoma de cárdia) não é raro, mas é pouco comum em pessoas jovens. “Acomete mais pessoas a partir dos 55 anos”, disse. Esse tipo de tumor não tem relação com o câncer de bexiga que matou seu avô, Mário Covas, em 2001. 

Segundo os médicos e assessores próximos, Covas se encontra disposto e não tem nenhuma dor. Na entrevista coletiva dada na tarde desta segunda-feira, a equipe médica destacou, mais de uma vez, que o prefeito tem hábitos de saúde exemplares, com alimentação saudável e prática de exercícios físicos cinco vezes por semana.

Apoio

Covas já se colocou como candidato à reeleição na disputa municipal do ano que vem. Nas redes sociais, seus possíveis adversários manifestaram apoio ao prefeito de São Paulo.

O ex-governador Márcio França (PSB) fez uma publicação no Twitter enviando seus “sinceros desejos de recuperação”.

O ex-prefeito Fernando Haddad (PT), que perdeu a reeleição para a chapa Doria/Covas, também se manifestou declarando desejo de “pronta recuperação” ao adversário.

Já a deputada federal Joice Hasselmann (PSL), que também afirma ser candidata à Prefeitura, publicou texto dizendo ter recebido com “tristeza” notícia e manifestou sua solidariedade.

O governador João Doria esteve no Sírio na tarde desta segunda e, também pelo Twitter, disse ter “certeza” de que Covas se recuperará.

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