Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Covas tem alta, mas retorna à Prefeitura com restrições 

Equipe médica informou que ele deve ser internado novamente em duas semanas para a terceira sessão de quimioterapia

Bruno Ribeiro e Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2019 | 13h52
Atualizado 15 de novembro de 2019 | 16h06

SÃO PAULO - O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), recebeu alta médica após 23 dias de internação para o tratamento de um câncer no estômago. Ele saiu do Hospital Sírio-Libanês pouco depois das 17 horas desta quinta-feira, 14.

Segundo a junta médica que o acompanha, o prefeito terá restrições, mas poderá despachar e receber visitas em seu gabinete. Não poderá, porém, participar de eventos com grande aglomeração de pessoas. Ao deixar o centro médico, Covas acenou para os jornalistas, mas não deu declarações. A equipe do prefeito informou que o prefeito concederá uma entrevista coletiva na manhã da próxima segunda-feira, na Prefeitura.

"Ele pode retomar a rotina da vida dele mas, na vida pública, deve guardar energias", disse o infectologista David Uip, médico que chefia a equipe que o acompanha. "A recomendação é que ele permaneça em casa descansando no fim de semana e volte ao gabinete na segunda-feira", disse em uma entrevista coletiva ocorrida no Sírio, nesta quinta.

A equipe médica informou que ele deve retornar ao hospital novamente no próximo dia 25, para realizar a terceira sessão de quimioterapia. Para isso, ele deverá ficar internado por três dias. No primeiro, ele fará exames. Em seguida, fará uma sessão de químio com duração de 30 horas. Por enquanto, uma eventual cirurgia para remoção do tumor está descartada.

"No começo de dezembro, ele retorna ao hospital de novo para fazer exames para o acompanhamento do tumor e aí serão definidas as próximas etapas do tratamento", explicou Uip.

Os médicos relataram que Covas reagiu bem e não teve efeitos colaterais da quimioterapia, mas informaram que ainda não é possivel saber se o tumor regrediu ou não com a químio. Isso será avaliado só ao final da terceira sessão, nos exames de dezembro.

Covas estava internado desde o dia 23 de outubro. Inicialmente, ele se queixava de uma infecção de pele na perna direita, diagnosticada como uma erisipela. No hospital, porém, os médicos descobriram uma trombose na perna, motivo que o fez ficar internado.

Nos dias posteriores, o trombo (coágulo) subiu para os dois pulmões, causando no prefeito uma tromboembolia pulmonar. David Uip explicou que esse diagnóstico, em geral, pode estar associado a outras doenças, o que fez com que os médicos fizessem uma investigação complementar que motivou série de exames em Covas. Depois de uma endoscopia e uma laparoscopia, os médicos localizaram um tumor na cárdia, local de transição entre o esôfago e o estômago.

Esse tumor havia sofrido metástase (se dividiu e se espalhou) e atingido também o fígado e gânglios linfáticos da região abdominal. A doença foi classificada como “traiçoeira”, uma vez que havia surgido e se espalhado antes de causar novos sintomas.

Dado o diagnóstico, os médicos sugeriram a Covas um agressivo processo de quimioterapia, que foi aceito de pronto pelo prefeito. A primeira sessão de químio, de um total de três, ocorreu no dia 29 de outubro. A segunda sessão terminou nesta quarta, 13. 

A previsão original era que Covas pudesse ter tido alta médica após a primeira quimioterapia, mas a descoberta de mais um coágulo, desta vez no átrio direito, uma parte do coração, manteve o prefeito internado por mais uma semana, o que o deixou no hospital entre as duas sessões. O coágulo se formou próximo à ponta do catéter que, introduzido no corpo do prefeito, lhe forneceu o medicamento para a químio.

Os médicos explicaram que os tumores de Covas têm por característica causar coágulos. Por causa disso, na semana passada, ele trocou a medicação anticoagulante, e na última segunda-feira, 11, novos exames mostraram redução no tamanho dos coágulos.

Mesmo com esse quadro, o prefeito afirmou que tinha condições de permanecer administrando a cidade, e passou a despachar direto de seu apartamento do Sírio-Libanês. Covas foi descrito por seus auxiliares que como “forte e disposto”. Embora não fosse todos os dias que o hospital divulgava boletins médicos sobre o quadro do prefeito, secretários e a equipe de comunicação manteve contato diário com jornalistas que cobrem a administração municipal.

Nesse período, acompanhado da mãe, Renata, que veio de Santos e ficou a maior parte do tempo com ele no quarto, e do filho Tomás, de 14, que o visitava depois da escola, Covas deu entrevista para TVs e revistas, fez vídeos para sua equipe de secretários e para a imprensa, exibidos em telões na sede da Prefeitura, e postou também em sua conta particular do Instagram. 

Nesta rede social, também fez postagens diárias de mensagens de agradecimentos e de divulgação de ações da cidade, na maioria imagens “antes e depois” de ações de zeladoria urbana, como limpeza de córregos e de áreas de descarte ilegal de entulho. 

Com um tablet configurado para validar sua assinatura digital, Covas mandou para a Câmara Municipal um projeto de lei que altera o processo de eleição de conselheiros tutelares e viu a Câmara aprovar projeto que o autorizou a fazer a concessão de terminais de ônibus, piscinões e os baixos de viadutos.

De volta ao Edifício Matarazzo, há expectativa de que envie ao parlamento um pacote que prevê facilidades para devedores de impostos que se comprometerem a gerar novos empregos. 

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