ALEX SILVA/ESTADÃO (1/1/2021)
ALEX SILVA/ESTADÃO (1/1/2021)

Covas ficará no cargo durante novo tratamento contra câncer

Prefeito de São Paulo despacha do hospital onde está internado desde terça-feira, após descobrir segundo tumor

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2021 | 05h00

Diagnosticado em outubro de 2019 com um câncer na cárdia, área entre o esôfago e o estômago, com metástase no fígado, o prefeito Bruno Covas (PSDB) está internado desde terça-feira no Hospital Sírio-Libânes, em São Paulo, para iniciar uma nova fase no tratamento. Ele optou por não se afastar do cargo. O tucano despachou com auxiliares e secretários do quarto do hospital, onde deve ficar pelo menos até esta sábado, 20. Ele avisou que vai seguir essa mesma rotina nas próximas sessões de quimioterapia – que vão durar 48 horas, cada, com intervalos de 14 dias entre elas. 

Covas havia se licenciado por dez dias do cargo em 18 de janeiro após a realização de sessões de radioterapia que fazem parte do tratamento. Ele reassumiu a Prefeitura no dia 1.° de fevereiro. Durante o período, o vice-prefeito, Ricardo Nunes (MDB), assumiu a gestão da cidade pela primeira vez. 

Ao montar sua equipe após ser reeleito no ano passado, Covas mesclou aliados que o acompanham desde o início de sua trajetória política com quadros do PSDB considerados “tarefeiros” e sem projetos eleitorais declarados para 2022. A ideia é que esse grupo “covista raiz” mantenha um diálogo fluído na operação da máquina e blinde o prefeito politicamente. 

Apesar de ser elogiado no entorno de Covas pelo perfil discreto, o vice Ricardo Nunes não recebeu função executiva de destaque na administração e tem auxiliado nas conversas com a Câmara Municipal. “A rotina não mudou. Hoje em dia tudo é resolvido online. Bruno está tocando a Prefeitura pelo WhatsApp e telefone”, disse o secretário da Casa Civil, Ricardo Tripoli (PSDB). 

O núcleo duro de Covas que mantém um diálogo permanente entre si sobre pautas multidisciplinares é formado pelo secretário executivo, Gustavo Pires; o secretário da Educação, Fernando Padula, o secretário das subprefeituras, Alexandre Modonesi; da Casa Civil, Ricardo Tripoli, da Saúde, Edson Aparecido; da Habitação, Orlando Faria; de Governo, Rubens Rizek e César Azevedo, de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento. 

Todos eles são filiados ou ligados ao PSDB e foram escolhidos como cota pessoal de Covas, apesar da pressão de sua ampla base aliada. As indicações de partidos ou caciques políticos ficaram relegadas a pastas como Esporte, Meio Ambiente, Trabalho e Direitos Humanos. 

Despachos. “O prefeito optou por não se licenciar porque o time está redondo. Não há necessidade”, disse o presidente municipal do PSDB, Fernando Alfredo, que também faz parte do círculo íntimo de Covas. O entorno do tucano foi pego surpresa com o anúncio da equipe médica, anteontem, de que exames do prefeito sugerem que o câncer no sistema digestivo que ele trata desde 2019 conseguiu “ganhar terreno”. 

O tom entre os aliados, porém, é otimista, mesmo nas conversas reservadas, quando lembram que o novo nódulo encontrado no fígado do prefeito é menor do que o diagnosticado há quase dois anos. 

“O prefeito confirma que não vai se afastar, que vai continuar trabalhando. Ele está trabalhando. Se surgir um fato novo, alguma consequência da quimioterapia, isso será discutido em outro momento. Agora, ele continua trabalhando, continua despachando normalmente”, disse ontem o médico David Uip, durante entrevista coletiva no Sírio-Libanês. 

Covas não tinha apresentado sintomas por causa do novo nódulo, de acordo com o oncologista Artur Katz, que faz parte da equipe do prefeito. Em dezembro, quando essa mesma reavaliação tinha sido feita, o nódulo ainda não tinha aparecido, segundo o médico.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.