Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Doria atua para unir Covas e Joice na eleição municipal de 2020

Governador defende proximidade entre prefeito e deputada, que já se reuniram; sobre a possibilidade de ser vice do tucano, Joice afirma que tema ‘é conversa para mais tarde’

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2019 | 12h59
Atualizado 19 de novembro de 2019 | 11h05

SÃO PAULO - Depois de passar 23 dias internado para tratar de um câncer na região do estômago, o prefeito Bruno Covas (PSDB) retomou nesta segunda-feira, 18, sua rotina e recebeu apoio explícito do governador e correligionário João Doria para a candidatura à reeleição em 2020. O governador também articula uma associação entre o atual prefeito e a deputada federal Joice Hasselmann, filiada ao PSL que reivindica concorrer à Prefeitura.

Próxima de Doria, Joice buscava ser a candidata de Jair Bolsonaro na capital, mas entrou em conflito com os filhos do presidente. Covas se reuniu ontem reservadamente em seu gabinete com a deputada. Embora a justificativa oficial tenha sido um encontro de cortesia, interlocutores de Covas e Doria já avaliam a possibilidade de uma chapa encabeçada pelo prefeito e com a deputada como vice. 

A aproximação entre os dois foi feita por Doria. “É uma pessoa de grande valor. Quanto mais perto ela estiver do Bruno mais feliz eu serei”, disse Doria, que participou de uma entrevista coletiva ao lado do prefeito. Essa foi, para o grupo de Covas, a senha da estratégia do governador, que tem como principal objetivo derrotar o bolsonarismo em 2020 para evitar que o presidente construa uma base consistente na capital paulista. Após o racha no PSL, Bolsonaro tenta criar um partido para abrigar seu grupo político. 

Ao Estado, Joice disse que não tem perfil para ser vice em qualquer chapa, mas não fecha as portas a uma possível composição com o tucano. “Meu perfil é executora, colocar a mão na massa e fazer”, afirmou. “Essa conversa com o Bruno (sobre candidatura) eu não tive ainda. Essa conversa é para mais tarde”, afirmou.

O encontro entre a deputada e o prefeito durou cerca de uma hora. “Falamos de coisas superiores à política”, disse Joice. Ela entregou ao tucano uma pulseira com a palavra “força”, que mandou fazer para a ocasião. 

Antes vista em setores do PSDB e do PSL como um “plano B” de Doria na disputa municipal caso Covas não decolasse nas pesquisas, Joice agora é considerada um nome que puxaria o prefeito da centro-esquerda para a centro-direita, o que o alinharia com as teses “doristas”.

“Ela é candidatíssima a prefeita. Obviamente que essa aproximação é saudável para o processo político, de diálogo, de tentar convergir. Principalmente entre aqueles que estão trafegando no campo da direita”, disse ao Estado o deputado federal Junior Bozzella (SP), que é da ala ligada ao presidente do PSL, Luciano Bivar (PE), e aliado de Joice.

Bozzella vê “similaridades” entre o discurso da deputada e do PSL com o do “novo” PSDB idealizado por Doria. “A gente sabe que o João também é avesso a essas questões que envolvem a possibilidade do retorno do PT ou da esquerda ao poder”, afirmou Bozzella. 

Embora tente se contrapor à polarização eleitoral criando pontes com a esquerda, Covas também tem feito acenos ao eleitorado conservador. 

Ao presidente da Câmara Municipal, Eduardo Tuma (PSDB), foi delegada a missão de aproximar o prefeito de igrejas evangélicas. Mas há entre os auxiliares do prefeito quem tenha reservas sobre essa estratégia, que poderia obstruir o diálogo de Covas com a esquerda. 

A leitura política feita no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo, e no Edifício Matarazzo, sede da Prefeitura, é a de que o prefeito mudou de patamar após assumir a doença publicamente e seguir trabalhando do hospital. 

Pesquisas internas e levantamentos nas redes sociais feitos por tucanos e outros partidos revelam que Covas conseguiu agora algo que se esperava que ocorresse apenas a partir do horário eleitoral: ser conhecido do eleitorado.

“(O PSDB) Não tem plano B. Tem o plano Bruno. É só Bruno em 2020. Ele terá saúde, disposição e voto para se reeleger”, afirmou o governador, que estava sentado ao lado do prefeito. A declaração foi feita após Covas desconversar e dizer que “só vai tratar de 2020 em 2020”. 

O prefeito disse nesta segunda-feira que pretende manter sua rotina de trabalho na Prefeitura, mas com restrições médicas. O tucano terá de realizar menos agendas públicas e evitar grandes aglomerações, já que o tratamento reduz a imunidade. Covas evitou falar ontem sobre o tempo estimado do tratamento e como ele pode afetar seus planos administrativos e políticos. 

“Cada câncer é diferente do outro. Cada pessoa reage de uma forma. Não há como prever a segunda etapa do tratamento. Não se trata de uma discussão subjetiva, mas objetiva. Enquanto eu estiver dentro das minhas faculdades mentais e físicas sou obrigado a ser prefeito”, afirmou. 

Covas chegou à entrevista sem barba. Ele disse que tomou a decisão para se antecipar à quimioterapia. O prefeito informou que começará na semana que vem a terceira etapa da quimioterapia – com 30 horas – e só depois será decidida a segunda etapa do tratamento. Ao chegar à entrevista, o tucano foi ovacionado por secretários, vereadores e subprefeitos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.