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Lula jamais interferiu no BNDES por qualquer projeto específico, diz Coutinho

Em depoimento à CPI que investiga o banco, dirigente da instituição diz que ex-presidente não teve ou tem qualquer influência nas decisões da entidade; depoimento também aborda relação do BNDES com empresas

EDUARDO RODRIGUES, O Estado de S. Paulo

27 de agosto de 2015 | 12h33

BRASÍLIA - O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, disse nesta quinta-feira, 27, que o ex-presidente Lula jamais interferiu no banco a respeito de qualquer projeto específico. Em depoimento à CPI do BNDES na Câmara dos Deputados, ele disse que o ex-presidente da República não teve ou tem qualquer influência nas decisões do banco.

Coutinho também foi confrontado pelos parlamentares sobre uma suposta conversa com o dono da UTC, Ricardo Pessoa, no qual o presidente do BNDES teria dito para o empreiteiro conversar com o tesoureiro do PT sobre doações eleitorais para o partido. "Não tratei de doações eleitorais com Ricardo Pessoa. No encontro que tivemos, no qual também estavam outras pessoas, tratamos apenas sobre projeto do aeroporto de Viracopos (SP)", respondeu. Pessoa firmou acordo de delação premiada no âmbito da Operação Lava Jato.

Empreiteiras da Lava Jato. Luciano Coutinho disse que o banco de fomento não está exposto à situação das empreiteiras afetadas pela Operação Lava Jato. Segundo ele, o crédito da instituição é dado aos consórcios que constroem projetos de infraestrutura, e não individualmente às companhias.“O BNDES não tem exposição a empreiteiras, mas a projetos. Não há crédito à empreiteira A, B ou C desvinculado a projetos de infraestrutura”, afirmou.

Questionado pelos parlamentares sobre uma conversa do ex-diretor da Odebrecht Alexandrino Salles de Alencar com o ex-presidente Lula sobre um seminário organizado pelo BNDES, Coutinho respondeu apenas que o teor da gravação divulgada mostra uma conversa normal sobre o evento. 

Empresas favoritas. O presidente do BNDES mostrou à CPI dados do apoio do banco de fomento para pequenas e médias empresas. Ele detalhou ainda que a instituição tem contratos com 804 das mil maiores companhias que atuam no País. “Não é verdade que o BNDES atende apenas algumas empresas favoritas. O banco é uma instituição aberta”, completou.

Grupo X. Questionado pelos parlamentares sobre os financiamentos dados às empresas do Grupo X, do empresário Eike Batista, Coutinho respondeu que o BNDES não teve prejuízos nas operações. "A OGX, que foi à falência, não tinha crédito com o banco. O BNDES emprestou para projetos de portos, minas, térmicas e infraestrutura para outras empresas do grupo. Foram créditos garantidos por fianças e que foram devidamente renegociados à medida que outros investidores adquiriram as empresas do grupo", disse.

Sobre o financiamento dado à Refinaria de Abreu e Lima em 2009, estimado em R$ 10 bilhões, Coutinho respondeu que, na época, se tratava de uma "situação especial", já que o sistema internacional de crédito teria entrado "em colapso" naquele momento. "Na época, a refinaria tinha um determinado perfil de óleo leve e pesado, que depois foi modificado. O banco monitorou e acompanhou o projeto, inclusive atendendo recomendações do Tribunal de Contas da União (TCU). Finalizado esse crédito, não houve novos aportes", completou.

Ainda respondendo aos deputados na CPI, o presidente o BNDES disse que não há empréstimos a "fundo perdido" para Cuba. "Financiamos os serviços de engenharia para a construção do Porto de Mariel, que terá ainda mais importância econômica após a retomada das relações do País com os Estados Unidos", argumentou.

Luciano Coutinho disse ainda que o perdão dado pelo Brasil a dívidas de países africanos não afetou operações de crédito realizadas pelo banco de fomento a projetos no continente e afirmou que "todas as operações com a África estão adimplentes".

Coutinho participa da comissão na condição de convidado, portanto não precisará fazer o juramento sobre dizer apenas a verdade.

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