Cotas sociais para universidade podem chegar a 60% das vagas

Segundo projeto aprovado na Câmara, acesso por mérito a universidade federal pode ter só 40% das vagas

Moacir Assunção, de O Estado de S. Paulo, Agencia Estado

13 de maio de 2009 | 07h54

Um projeto aprovado na Câmara que reserva 10% das vagas nas escolas públicas para deficientes físicos deve chegar ao Senado ainda nesta semana. Somados aos 50% de cotas nos critérios sociais e raciais de outro projeto já em discussão chega-se a 60% das vagas para cotistas, o que está na raiz das discussões no Congresso e na sociedade. Presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) é contrário aos 60%. "Isso é um vexame, a morte do mérito. Sugiro um máximo de 30% e somente social, destinados aos mais pobres, sem definição de raça."

Militante histórico do movimento negro, o Frei David Raimundo dos Santos, diretor-geral do Educafro, rede de cursinhos para adolescentes pobres em São Paulo, rebate. "Esse número ainda é baixo. Se só 12% dos estudantes são formados em escolas particulares no ensino médio essa deveria ser a participação desse grupo, os outros 88% deveriam ser dos egressos de escolas públicas", argumenta. Algumas entidades que estudam e gerenciam o ensino federal também têm restrições ao porcentual e à questão racial.

O presidente da Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Amaro Henrique Pessoa Lins, afirmou considerar 60% para cotas exagerado. "A questão é mais social, de pobreza, do que racial e o mérito precisa ser reconhecido", justifica. O presidente do Instituto de Pesquisas Avançadas em Educação (Ipae), João Roberto Moreira Alves, também é contrário às cotas. Por sua vez, o reitor da Universidade Zumbi dos Palmares, José Vicente, é favorável. "As universidades, custeadas com recursos públicos, e o governo precisam criar formas de inclusão dos setores historicamente excluídos da sociedade.

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