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Cotado para assumir Secretaria-Geral, almirante virou administrador de conflitos no Planalto

Flávio Rocha, de 58 anos, se tornou um dos auxiliares mais próximos de Bolsonaro; o economista Célio Faria Junior também é cogitado para a vaga de Jorge Oliveira, indicado para o TCU

Jussara Soares, O Estado de S.Paulo

09 de outubro de 2020 | 10h05

BRASÍLIA - Nome mais cotado para substituir o ministro Jorge Oliveira no comando da Secretaria-Geral da Presidência, o almirante Flávio Rocha, de 58 anos, se tornou um dos mais próximos auxiliares do presidente Jair Bolsonaro desde que chegou ao governo em fevereiro deste ano. Na época, Bolsonaro, em entrevista ao Estadão, já dizia que seu novo auxiliar merecia ser ministro.

Oficialmente, o militar está à frente da Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos, mas na prática atua como conselheiro para os mais diversos assuntos e um administrador de conflitos no Palácio do Planalto. Nas horas vagas, vira um cicerone e abre a casa localizada em um condomínio em Brasília para receber encontros de Bolsonaro com integrantes do governo e parlamentares.

O perfil afável e “resolvedor de problemas”, segundo colegas de governo, o fizeram indispensável perto do presidente. E esta condição poderia ser um entrave para ele ser promovido a ministro e assumir outras funções no governo. Tanto é que o presidente ainda não bateu o martelo sobre a ida de Rocha para a Secretaria-Geral.  

Segundo interlocutores, Bolsonaro também avalia indicar o assessor-chefe do gabinete presidencial, o economista Célio Faria Junior. Outro homem de confiança do presidente, Faria, como servidor civil da Marinha, atuou como assessor da Força no relacionamento com o Executivo e o Congresso.

A decisão de Bolsonaro só deverá ser anunciada após o nome de Jorge Oliveira, indicado para o Tribunal de Contas da União (TCU), ser aprovado no Senado. A sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) está marcada para o dia 20, e a votação no plenário no dia 21 deste mês. Aprovado, Jorge Oliveira  poderá deixar o governo na sequência, abrindo caminho para o substituto. O ministro José Múcio só se aposenta do TCU no dia 31 de dezembro.

Antes de ser nomeado no governo, Flávio Rocha passou a frequentar o Palácio do Planalto para conhecer a rotina do gabinete presidencial. No dia 5 de fevereiro, Bolsonaro apresentou Rocha à reportagem. O militar foi nomeado no dia 14 daquele mês. “Estamos comprando o passe dele da Marinha. Ele vem trabalhar com a gente aqui. Está quase certo. Não vai ser ministro, não, apesar de ele merecer”, disse Bolsonaro em conversa com o Estadão no gabinete.

Na ocasião, o presidente elogiou o fato de o almirante falar seis idiomas. A habilidade, aliás, tem sido explorada. Rocha passou a estar presente ao lado de Bolsonaro em contato com líderes de países estrangeiros. Ele também esteve na comitiva que viajou ao Líbano em missão humanitária após a explosão no porto em Beirute, que matou 170 pessoas. Por sugestão de Rocha, a missão foi chefiada pelo ex-presidente Michel Temer.

Sempre ao lado do presidente, o almirante também tem sido ouvido por Bolsonaro antes de indicações para postos no governo. A ele, por exemplo, foi atribuída a escolha do professor Carlos Decotelli para assumir o Ministério da Educação. Decotelli chegou a ser nomeado, mas não tomou posse após instituições terem negado títulos acadêmicos citados pelo professor em seu currículo.

Em outra frente, Rocha atua como uma espécie de relações públicas do presidente. No feriado de 7 de Setembro, por exemplo, ofereceu um almoço em sua casa para o presidente Bolsonaro,  ministros do governo e tendo o ministro Dias Toffoli, que estava deixando a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF), como convidado especial. No dia 30, a casa foi cedida para um jantar com parlamentares mineiros e o presidente.

Esta não é a primeira vez que Flávio Rocha é cotado para chefiar a Secretaria-Geral. Em abril, após o ex-juiz Sérgio Moro deixar o Ministério da Justiça, Bolsonaro considerou indicar Jorge Oliveira para a pasta.  Na mudança, Rocha era o favorito para assumir Secretaria-Geral. Por fim, o Ministério da Justiça foi entregue ao ministro André Mendonça, então advogado-geral da União.

O almirante conheceu Bolsonaro quando trabalhou por quatro anos como assessor parlamentar da Marinha no Congresso entre 2002 e 2006. “É sempre bom ter pessoas qualificadas, com o coração verde e amarelo para estar do nosso lado”, disse Bolsonaro em fevereiro. 

 

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