Cota ajuda a levar índios à universidade

Criado há 3 anos, programa se espalha por 20 instituições estaduais e federais, apesar das dificuldades da língua

Roldão Arruda, O Estadao de S.Paulo

07 de julho de 2027 | 00h00

Criado há três anos, o programa de cotas para estudantes indígenas da Universidade Federal do Tocantins já atende 68 índios. Eles aprendem bem as matérias, mas enfrentam uma dificuldade extra com a língua portuguesa. Depois de passar a maior parte da vida em aldeias onde não se fala português, alguns se sentem como estrangeiros na universidade.O tropeço na língua oficial brasileira é apenas um dos vários desafios enfrentados pelas instituições públicas de ensino superior do País que, em meio ao debate nacional sobre cotas para negros, estão cada vez mais abertas a receber índios. Segundo levantamento do Ministério da Educação, 20 escolas estaduais e federais da rede de ensino superior dispõem de cotas para esse grupo populacional. O número de índios universitários aproxima-se de 5 mil: quase 1% no conjunto de 580 mil estudantes.A maior parte faz cursos de licenciatura - para retornarem como professores às comunidades. Mas, segundo informações das universidades, os índios têm cobrado mais vagas nas áreas de saúde, proteção ambiental e direito, nessa ordem.Para atender aos pedidos, a Universidade de Brasília (UnB) criou um vestibular especial para índios, com vagas em medicina, enfermagem, odontologia e farmácia. Atualmente a escola abriga 15 estudantes desse grupo populacional.Na maioria dos casos, as escolas não dão o mesmo tratamento a negros e índios. Na Federal do Paraná, enquanto os negros enfrentam o vestibular comum, lado a lado com outros candidatos, os índios fazem uma prova à parte. Aos negros cabe uma fatia de 20% do total das vagas oferecidas; e aos índios, poucas vagas extras.Desde 2005, quando a UFPR iniciou o programa, 17 índios foram aceitos. Segundo explicações da pró-reitora de graduação da escola, professora Rosana Brito, ''''não existem cotas para índios, mas, sim, vagas suplementares''''.Na Universidade do Tocantins a história é outra. Depois de constatar que 69% dos estudantes matriculados já são afrodescendentes, a escola optou por um sistema de cotas só para pessoas provenientes das seis etnias indígenas presentes no Estado. Elas têm direito a 5% das vagas do vestibular.Naquela escola, no entanto, os índios enfrentam o vestibular ao lado dos outros candidatos. Para superar os problemas que os já matriculados enfrentam com o português, a escola estuda a possibilidade de oferecer-lhes cursos especiais dessa língua. ''''A presença deles na universidade faz parte de uma política de reparações e devemos fazer todos os esforços para ajudá-los'''', diz a pró-reitora de assuntos comunitários da escola, Ana Lúcia Pereira.

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