Costa declarou R$ 10,8 milhões em bens

Receita Federal aponta crescimento sem justificativa dos bens do ex-diretor em 2012

Ricardo Brandt, Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2014 | 02h02

Relatório da Receita Federal, feito a pedido da Justiça nos processos da Operação Lava Jato mostra que o ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa aumentou seu patrimônio legal declarado em oito anos de R$ 1,2 milhão para R$ 10,8 milhões (de 2005 a 2013) e aponta crescimento de bens sem justificativa em 2012 de R$ 2,5 milhões.

"Verifica-se grande evolução patrimonial no período-calendário 2010 a 2013", informa a Receita, no documento.

O órgão chama atenção para a justificativa de aumento patrimonial apresentada por Costa em suas declarações com aportes de capital recebidos de sua empresa e do empréstimo em 2012 de R$ 1,9 milhão por um amigo que trabalha com seu genro - também alvo da Lava Jato.

Como Costa, todos os alvos da Polícia Federal e do Ministério Público Federal tiveram suas vidas patrimoniais e comerciais devassadas. A maior parte deles teve seus sigilos fiscal, bancário e telefônico quebrados com autorização do juiz Sérgio Moro, para que se pudesse dimensionar quanto do valor desviado virou bens para ocultar a origem ilícita do dinheiro.

Com 11 ações penais abertas e outros 140 inquéritos em fase de pré-apuração, fala-se em R$ 10 bilhões desviados por Costa, pelo doleiro Alberto Youssef e os demais réus.

Costa já aceitou devolver sua lancha de R$ 2 milhões, um terreno em Mangaratiba, no Rio, e o dinheiro escondido em contas na Suíça, cerca de US$ 26 milhões.

Em outro documento da Receita, feito para a Lava Jato, foi listado um total de 18 empresas ligadas a ele - apenas duas registradas em seu nome. A Costa Global, por exemplo, aberta em 2012, registrou em 2013 rendimento tributável de R$ 6,1 milhões.

O órgão registrou ainda que valores anotados na contabilidade da empresa, como os pagamentos vinculados a Alberto Youssef, não aparecem nas declarações oficiais.

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